Paraná pode abolir as garrafas long neck

Ber Sardi

Jornal Folha de Londrina de 22 de julho de 2009

Eli Arau­jo

Paraná pode abolir as garrafas long neck

As gar­ra­fas ­long ­neck po­dem es­tar com os ­dias con­ta­dos no Es­ta­do do Pa­ra­ná. Um pro­je­to de lei que es­ta­ba­le­ce nor­mas pa­ra o uso des­se va­si­lha­me en­tra­rá em dis­cus­são nos pró­xi­mos ­dias na As­sem­bléia Le­gis­la­ti­va. A maio­ria das ­long ­neck pro­du­zi­das no Bra­sil tem 275 ou 355 mi­li­li­tro (ml) e são usa­das ge­ral­men­te pa­ra en­gar­ra­far cer­ve­jas ou be­bi­das des­ti­la­das. Co­mo são des­car­tá­veis, as gar­ra­fas qua­se sem­pre são jo­ga­das nas ­ruas ou cal­ça­das ­após o uso, cau­san­do pro­ble­mas pa­ra a co­le­ta de re­sí­duos.

Mes­mo an­tes de ser vo­ta­do, o pro­je­to de lei já ga­nhou a ade­são de en­ti­da­des am­bien­ta­lis­tas do Pa­ra­ná. Uma de­las é a Fun­da­ção Ver­de (Fun­ver­de), com se­de em Ma­rin­gá, e que ob­te­ve pro­je­ção ao de­fen­der o uso das sa­co­las oxi­bio­de­gra­dá­veis nos su­per­mer­ca­dos. A Fun­ver­de, se­gun­do Ana Do­min­gues, fun­da­do­ra da or­ga­ni­za­ção, ini­ciou uma cam­pa­nha pe­din­do que to­das as pes­soas preo­cu­pa­das com o ­meio am­bien­te en­viem e-­mail ou te­le­fo­nem pa­ra os de­pu­ta­dos es­ta­duais pe­din­do a apro­va­ção da lei. Ela jus­ti­fi­ca que a lei é ne­ces­sá­ria por­que as gar­ra­fas ­long ­neck pe­los da­nos que cau­sam ao ­meio am­bien­te, de­mo­ran­do em tor­no de 5 mil ­anos pa­ra se de­com­po­rem.

O pro­je­to de lei que dis­ci­pli­na o uso das gar­ra­fas ­long ­neck no Pa­ra­ná é de au­to­ria do de­pu­ta­do es­ta­dual Do­bran­di­no Gus­ta­vo da Sil­va (­PMDB). Se­gun­do ele, o pro­je­to foi cria­do a pe­di­do de pre­fei­tu­ras que so­frem com os pro­ble­mas cau­sa­dos pe­lo va­si­lha­me que­bra­do nas ­ruas. Sil­va res­sal­ta que a em­ba­la­gem não se­rá proi­bi­da no Es­ta­do, mas o fa­bri­can­te se­rá res­pon­sa­bi­li­za­do pe­los pre­jui­zos cau­sa­dos ao ­meio am­bien­te. A pro­pos­ta es­ta­be­le­ce mul­tas pa­ra o fa­bri­can­te e os va­lo­res de­ve­rão ser fi­xa­dos nas co­mis­sões da AL, ca­so se­ja apro­va­da a lei.

Ana Do­min­gues afir­ma que o Pa­ra­ná é pio­nei­ro na cria­ção des­te ti­po de pro­je­to e ca­so a lei se­ja apro­va­da, vai re­pas­sar a ­idéia pa­ra ou­tros es­ta­dos e ci­da­des que se preo­cu­pam com o ­meio am­bien­te. A en­ti­da­de co­lo­cou em seu si­te (www.fun­ver­de.org.br) os e-­mais e te­le­fo­nes de to­dos os de­pu­ta­dos pa­ra que a so­cie­da­de ‘‘­apoie a ­iniciativa’’.

Importação desnecessária

beatriz229

O eco de 24 de julho de 2009

O Instituto Socio-Ambiental dos Plásticos – Plastivida divulgou hoje (24) nota sobre a importação, pelo Brasil, de 89 contêineres de lixo da Inglaterra, defendendo que o país “não precisaria importar plásticos recicláveis se contasse com uma política eficiente de coleta seletiva”. O assunto tem rendido várias notícias na mídia, mas pouca gente se atendou para a real necessidade da importação de materiais plásticos.

Será que a plastimorte ainda não entendeu que o papel dela não só blindar a máfia dos plásticos? Será que não entendeu ainda que o papel dela também é participar da educação ambiental da população para incentivar a reciclagem? É muito fácil, as petromáfias ganham dinheiro com o plástico mas na hora de ser responsabilizar pelo destino final destes plásticos, que tem que ser a reciclagem, vem culpar o governo por não haver reciclagem. Bonito isso, né seu xico tóxico, sempre apontando o dedo na cara dos outros para culpá-los mas nada de pedir para seus patrões pagarem campanha de educação ambiental. Típico, lucro total, responsabilidade zero.

Segundo levantamento do Instituto, atualmente o Brasil recicla cerca de 21% de sua produção de plásticos, o que representou mais de 962 mil toneladas em 2008, e o setor conta com crescimento de 13,7% ao ano. Apesar dos bons números, o país ainda atua com 30% de sua capacidade ociosa por falta de material a ser reciclado. “Esta ociosidade se traduz na falta de ações efetivas por parte dos municípios no que diz respeito aos resíduos sólidos. No Brasil, dos 5.564 municípios, somente 7% contam com coleta seletiva”, diz a nota da entidade.

Nooossa, agora o xico tóxico abusou da mentira, pois segundo dados do governo a reciclagem no país está malemá raspando nos 0,8% e o plástico corresponde a 20% de todo o resíduo gerado e as sacolas a metade disso, isto é, 10% de todo o resíduo gerado em uma cidade corresponde a sacolas plásticas de uso único, que não são recicladas porque é necessário coletar 800 delas para conseguir alguns centavos, então, vá mentir assim no inferno.

A importação do lixo inglês já rendeu três prisões na Inglaterra e cerca de 2,5 milhões de reais em multas aplicados pelo Ibama às empresas brasileiras envolvidas no caso. Os três homens presos, dois deles brasileiros, foram soltos hoje após pagamento de fiança. Segundo promessa do ministro Minc (Meio Ambiente), o lixo inglês será devolvido a partir da próxima segunda.

Quem deveria ser preso, são as fábricas de plástico no Brasil que não praticam a logística reversa, isto é, dar destinação final ao produto que geram, o plástico, seja em sacolas ou embalagens.

Quem também deveria ser preso são as petromáfias, que tem responsabilidade solidária no lixo que geram.

Agora, falar que os municípios não fazem coleta seletiva é fácil, difícil é a petromáfia por a mão no bolso e dar dinheiro para os municípios fazerem as campanhas ou então montar usina de reciclagem para separar o plástico.

Safados!

New studies link BPA to heartbeat and fertility problems

O que a zelosa plastimorte tem a dizer sobre o Bisfenol A que está contido nos plásticos que ela defende em nome da Braskem?

foodproductiondaily.com

By Rory Harrington, 11-Jun-2009

Fresh research linking bisphenol A (BPA) to heart beat disorders and fertility problems have added to the growing weight of opinion questioning the safety of the chemical.

BPA is used to make hard, clear plastics for food containers, dental sealants and the sealants that line food and beverage cans. Concern over the chemical has been rising in the US resulting in it being banned in two states and an announcement from the Food and Drug Administration to review its opinion that BPA is safe.
Two new studies presented this week at the Endocrine Society’s annual meeting in Washington are sure to add to the controversy surrounding the chemical.

Irregular heartbeat

A study by a team at the University of Cincinnati (UC) found that exposure to BPA and/or estrogen causes abnormal activity in the hearts of female rats and mice. The group, lead by associate professor of pharmacology Scott Belcher, said that estrogen receptors are responsible for this effect in heart muscle cells.

Belcher said: “There is broad exposure to bisphenol A, despite recognition that BPA can have harmful effects. We had reason to believe that harmful cardiovascular affects can be added to the list.”
The scientists said live cultures of cardiac cells isolated from rat or mouse hearts were briefly exposed to BPA and/or estrogen. It found the reaction in terms of heartbeat was sex-specific to women.
“Both compounds caused striking changes in the activity of cardiac muscle cells from females but not males,” said a UC statement. “Additional studies revealed that these cellular changes in activity caused improperly controlled beating in the female heart.”

Belcher added: “Basically, it’s very clear that BPA is acting like estrogen. If we give estrogen at physiological concentrations, then add BPA, it’s actually a synergistic effect. It’s not like adding the two together. It’s worse.”

A second study presented by Yale University School of Medicine’s reproductive endocrinology team claimed to show adverse effects on fertility in rodents following exposure to BPA.

Gene altering

The group, led by Professor Hugh Taylor, injected pregnant mice with a low dose of the chemical. After the animals gave birth, the scientists analyzed the uterus of female offspring and extracted DNA. They found that BPA contact during pregnancy had a lasting effect on one of the genes that is responsible for uterine development and subsequent fertility in both mice and humans (HOXA10).

“The genes that are necessary for normal pregnancy are altered,” said Taylor, adding BPA changed the DNA code and the ability of DNA to express these genes.

He said: “A little transient exposure during a brief time period in pregnancy could permanently alter the DNA of the uterus.

“We don’t know what a safe level of BPA is, so pregnant women should avoid BPA exposure. There is nothing to lose by avoiding items made with BPA—and maybe a lot to gain.”

Research techniques questioned

But the American Chemistry Council (ACC) rejected the validity of the studies, accusing the authors of “bypassing the scientific process in favor of sensational press releases” and as “a scare tactic that will not promote public health”.

Steven G. Hentges, of the ACC, said: “It is disappointing to see that some researchers continue to inject animals with bisphenol A since this experimental technique has recently been acknowledged by the National Institute of Environmental Health Sciences to have very limited value for assessing human health effects. In addition, studies on cell cultures are unlikely to be directly relevant to human health and, unless and until such relevance is scientifically validated, should not be presented as evidence of health risks.”

Plásticos são maioria entre lixos marítimos

lalaface

A Foto da sacola acima foi tirada no oceano pacifico, mas poderia ser no rio da sua cidade, afinal o Wal-Mart despeja no Brasil 150 milhões de sacolas plásticas por mês e nem tem a responsabilidade de torná-las menos prejuiciais ao planeta, isto é, eles NÃO usam plástico oxi-biodegradável, o plástico e ciclo de vida curto de 18 meses ao contrário destas malditas sacolas de plástico eterno que eles insistem em usar em que a duração é de 500 anos.

Entenda no link a seguir, porque nós apoiamos o uso do plástico oxi-biodegradável. http://funverde.wordpress.com/sacolas/porque-plastico-oxi-biodegradavel/

Revista Veja de 08 de junho de 2009

A maior parte do lixo encontrado nos oceanos é composto por produtos plásticos, como garrafas, sacos e embalagens. Em algumas regiões, a “poluição plástica” representa 80% de todos os detritos encontrados. As informações fazem parte de um relatório do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos.

Embora a Unep não tenha como precisar o total de lixo nos oceanos, a entidade garante que as evidências indicam que a quantidade de entulho está crescendo. O relatório da ONU tem o intuito de alertar os governos das regiões onde a situação está mais crítica, para que alguma solução seja tomada.

A principal causa da poluição marítima, segundo a ONU, são o desperdício e a má administração dos recursos naturais. Ainda segundo a entidade, os sacos plásticos finos deveriam ter sua produção banida e o processo de reciclagem incentivado pelos governos.

Veja bem que foi a ONU que recomendou se banir a sacola plástica e não nós, os ecochatos, biodesagradáveis. E aí xico das esmeraldas, soldadinho de plástico das petromáficas, vai encarar a ONU? Hahaha.

O plástico também atinge diretamente os animais que vivem no mar ou dependem dele para sobreviver. Um estudo com os pássaros fulmaros glaciais, encontrados no Mar do Norte, revelou que 95% deles tinham pedaços de plástico em seus estômagos. Ao confundir a poluição com comida, muitos animais acabam ingerindo o plástico por engano, como é o caso das tartarugas que, frequentemente, confundem sacolas com águas-vivas, sua principal presa.

Economicamente, os países também acabam perdendo com a poluição, uma vez que ela pode contaminar áreas de agricultura e turismo, além de danificar barcos e equipamentos de pesca. Em apenas um ano, a Suécia gastou cerca de 1,5 milhão de dólares (aproximadamente 3 milhões de reais) para recuperar as praias de Bohuslan. O Peru também teve que investir cerca de 400.000 dólares (pouco mais de 780.000 reais) – o dobro do investimento feito na limpeza das áreas públicas apenas para limpar sua costa.

Recomendação do governo:Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!

Trabalhe pesado!

João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado

Recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

No início dos anos 1700, quando a revolução comercial já era um fator determinante do progresso e do desenvolvimento das nações, um pensador espanhol teria escrito um ensaio defendendo a tese de que o seu país não deveria entrar naquela competição, porque seria um esforço desnecessário. A Espanha, na época, possuía reservas em metais preciosos suficientes para comprar tudo o que seu povo necessitava. Esse mesmo argumento poderia ser válido, um século depois, nos anos 1800, para não embarcar na aventura industrial.

O resultado é que o império espanhol ruiu, as suas decantadas reservas se dissiparam e a outrora pujante nação ibérica amargou mais de dois séculos de decadência. Está voltando ao proscênio agora, quando nem o seu governo nem o seu povo se pautam mais por aquela enganosa opulência do passado.

De certa forma, é esse mesmo problema que inviabiliza o progresso e o desenvolvimento de muitos países que vivem, atualmente, da riqueza fácil gerada pela extração de petróleo. Para que, afinal, arregaçar as mangas? O ouro negro supre todas as carências…

Não é à toa que entre os países mais pobres da África figuram – em aparente paradoxo – os que possuem as maiores reservas mundiais de diamantes e pedras preciosas. A posse de recursos naturais abundantes e de fácil extração já causou a desgraça de muitas nações, através dos tempos.

O que dizer, então, quando a falsa abundância não provém de riquezas reais, mas de programas assistenciais promovidos pelos governos locais?

Os analistas isentos e imparciais seriam unânimes em afirmar que, nesse caso, o caminho da perdição seria ainda mais curto.

E se tais políticas paternalistas estivessem sendo promovidas num país pobre e desprovido de maiores recursos? Aí, então, seria suicídio – afirmariam os estudiosos -, uma nação deliberadamente atirando em seus próprios pés.

Pois é esse exatamente o caso do Brasil e do seu programa Bolsa-Família.

Segundo se vangloria o próprio governo, o programa já contempla 11 milhões de famílias, alcançando, assim, entre um quarto e um terço de toda a população brasileira. Trata-se de um exemplo ímpar: em toda a História universal, somos o único povo que logrou escapar da miséria com mesadas.

Argumentos para defender o Bolsa-Família não faltam. O difícil é acreditar que o programa seja viável para sempre.

Pode-se argumentar, a favor dele, que, em termos imediatos é uma forma eficaz de combater os malefícios causados pela miséria. Sem dúvida. Mas trata-se de um paliativo – um remédio que cuida dos efeitos, e não das causas da moléstia. Assim sendo, o seu efeito não é duradouro e tampouco definitivo.

Há pelo menos três aspectos cruciais que estão eivando a iniciativa:

Não se está exigindo, na prática, nenhuma contrapartida dos beneficiários;

não se está fixando um prazo máximo para a concessão do benefício;

o valor do benefício pago está-se revelando muito elevado.

Benefício concedido sem reciprocidade é esmola. E esmola não cria cidadãos ativos. Cria, isso sim, mendigos.

Benefício concedido para sempre não é uma ajuda, mas sim um privilégio. E privilégios não geram indivíduos independentes. Geram, quando muito, um massa disforme de parasitas.

Benefício com valor elevado não complementa o trabalho, mas o substitui. Não gera trabalhadores, mas desocupados. Em vez de pessoas ativas, uma multidão apática de ociosos. Um exército de pensionistas totalmente dependentes da boa vontade dos governantes.

Se o objetivo final de Lula e do PT é criar um gigantesco curral eleitoral, eles estão sendo muito bem-sucedidos. Os “bolsistas” do famigerado programa estarão sempre dispostos a sufragar os candidatos que o governo recomendar.

Mas se o que se pretende é emancipar as pessoas, então o Bolsa-Família está se revelando uma grande excrescência.

Como está escrito na porta do Inferno de Dante: “Abandonai todas as esperanças, vós que entrais”… Aqueles que se inscrevem no “Bolsa-Família” hão de saber que dele jamais sairão. As suas virtudes ativas, a sua independência, a sua cidadania, tudo isso, enfim, é impiedosamente moído tão logo se ingressa no programa. A ética do trabalho e do esforço como a única forma legítima de prosperar na vida deixa de existir já na soleira da porta.

Como reza o ditado, montar num tigre é fácil, o difícil é desmontar dele depois.

O Bolsa-Família é um programa que, uma vez implantado, não há mais como descartá-lo. Os milhões de beneficiários já estão acostumados com o aporte mensal do dinheiro fácil. Como dizer a eles que dali em diante deveriam suar o rosto para obtê-lo?

Tanto para o governo como para a oposição, propor o fim do Bolsa-Família seria eleitoralmente desastroso. E o programa, assim, se impõe como algo definitivo.

Aqueles que trabalham hão de votar na oposição, já aqueles que não trabalham votarão sempre no governo. Como estes últimos se estão tornando maioria, o continuísmo parece ser um prognóstico evidente.

Como é economicamente impossível pôr a totalidade dos brasileiros sob o guarda-chuva do Bolsa-Família – alguém tem de pagar a conta -, teremos no País, doravante, duas classes de cidadãos: a dos que sustentam e a dos que são sustentados pelo Bolsa-Família.

Quanto a você, que está lendo este artigo, a recomendação do governo é a seguinte: “Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!”

Já não bastava os de Santa Catarina, agora são os ruralistas do Paraná

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O Eco de 09 de junho de 2009

O ataque à legislação ambiental segue percorrendo o país. Chegou agora ao Paraná, na carona da federação de agricultura daquele estado.

Assim como outras entidades ruralistas, apela para melodramas individuais para tentar derrubar uma lei que atende à maioria.

Texto recente da entidade mostra a situação de um pequeno agricultor às voltas com córregos e nascentes em seu sítio de dez hectares em Japurá.

Realmente, pela legislação, nada lhe sobra de terreno para agricultura tradicional.

O texto ruralista lembra da degradação provocada no passado pelo próprio governo associado ao setor privado, mas não fala em recuperação da área, nem que porções de reserva legal podem ser usadas para atividades econômicas controladas.

Mas, o mais importante, é que terras tão ricas em água e nascentes em meio à vegetação nativa nem deveriam ter sido ocupadas.

Falta planejamentoe orientação na ocupação do solo brasileiro.

Sem isso, fica fácil jogar a culpa nas costas da legislação.

Os grandes agricultores paranaenses estão com o mesmo sonho dos catarinenses de extinguir a reserva legal, de diminuir a mata ciliar para 5 metros, não preservar nascentes, plantar em várzeas, topo de morro, enfim, para que mata nativa? Quem foi a anta que inventou esta porcaria de reserva legal? pensam eles. Quem fez este código florestal não entendia nada bradam eles. Sim, porque eles, os grandes latifundiários, sim, eles entendem tudo … de destruir o planeta em nome do lucro imediato. Tendo seus agrodólares no bolso, que se exploda o resto.

As grandes cooperativas COCAMAR e COAMO são as mesmas que agora estão apoiando esta lei, porque nós, que já plantamos mata ciliar há cinco anos vemos estas cooperativas sendo amiguinhas dos agricultores e passando a mão na cabeça deles, incentivando o agricultor a não recompor a reserva legal porque estão esperando a mudança na legislação. Claro, lucro máximo e a natureza que se exploda. Querem plantar até dentro do rio, só não plantam porque a correnteza leva. Querem jogar terra em cima das nascentes para que elas sumam e eles possam ter mais uns metros de terra para plantar.

Será que o Luiz Lourenço e José Aroldo Gallassini vão comer os dólares da venda da soja, do trigo e do milho transgênico? Vão fazer suco de soja e de milho transgênico para substituir a água que bebem, quando a água dos rios acabarem pela falta da mata ciliar?

Deveríamos trancafiar esses dois seres insensatos – a palavra era outra mas o censor vetou – em uma casa por um mês e só deixá-los beber e comer esses três produtos em todas as refeições para eles entenderem a importância da água limpa, a importância das nascentes, não só como água de beber, mas também como habitat para peixes que fazem parte de nossa alimentação. Para que eles entendam que água é vida, que sem água não haverá semente que alimentará o gado com qual eles fazem churrasco. Que o acompanhamento do churrasquinho do final de semana é feito de legumes e verduras que também necessitam de água para serem cultivados.

Será que eles são tão burros – são não, claro que não – que não sabem que 70% de toda água é utilizada para agricultura e que somente 10% é água de beber e 20% é a água utilizada por indústrias? Quando os rios secarem os maiores prejudicados serão os agricultores.

E que história é essa de 5 metros de mata ciliar. Quem é plantador de mata ciliar como nós, sabe muito bem que em um terreno plano você planta árvores com espaçamento de 3 metros e sendo assim, dá menos de duas linhas de árvores, para proteger os rios de todo o veneno que o agricultor joga na plantação.

Nos temos visto, década após década no Paraná ninguém recuperando o que foi destruído para plantar e ninguém faz nada e, para complicar, agora, querem que isto vire lei, isto é, liberou geral, afinal para que 5% de floresta nativa no estado? Nossa vocação é plantar! Ouvimos isto à exaustão, mas sabíamos que o prazo de 20 anos para recuperação das áreas estava acabando e que eles teriam que recuperar o que destruíram mas, agora, vemos que se for como em Santa Catarina, adeus resto do resto da mata nativa no estado, afinal, 5% de mata nativa indo ao chão, vende-se a madeira, depois se planta ou cria gado, converte-se esses 5% em dólares … lá estão eles fazendo as contas.

É isso, faremos nossa parte divulgando mais esta canalhice dos ruralistas, mas no final, quem tem que barrar este crime contra a humanidade é o nosso governador, porque em Santa Catarina a lei passou e vem ministro dizendo que vai recorrer, blábláblá e nada. Foi só discurso político para não ficar feio para o governo que adora desmatar. Quando e se a lei for considerada ilegal, toda a mata nativa de Santa Catarina já terá ido ao chão para uso da terra para a agricultura.

Isto é Brasil. E depois vem o presidente bebum dizer que estamos dando exemplo ao mundo de como cuidar da natureza. Hahaha, faz-nos rir.

Porque não apoiamos combustível feito de comida – biocombustíveis e alimentos

Veri’s kleiner Winkel

Continuando o post anterior, também não apoiamos combustíveis feitos de comida pelo mesmo motivo, o uso de terra fértil e água, recursos cada vez mais raros para fazer combustível. Isto é mais um dos crimes cometidos contra a humanidade em nome da ganância desenfreada sem responsabilidade ambiental, para com os seres de hoje e os que ainda não nasceram.

Temos o dever de conservar este planeta para os futuros habitantes poderem viver e não apenas sobreviver. Temos hoje tecnologias sustentáveis para combustíveis sem haver a necessidade de destruir recursos naturais para criação de combustível.

Scientific American Brasil – edição especial nº 32 – Todas as fontes de energia

Biocombustíveis e Alimentos

Por Kenneth G. Cassman – professor de agronomia e ciência do solo da University of Nebraska e especialista em análise de produtividade de safras

Para aprimorar políticas de aproveitamento de colheitas é preciso investir em pesquisa de ponta

A humanidade tem desfrutado de um raro período de fartura na produção agrícola desde que teve início a revolução verde em meados da década de 60. Essa tendência sustentou o desenvolvimento econômico e uma significativa redução da fome e da pobreza no mundo. No entanto, é possível que haja uma drástica mudança nesse quadro, devido ao forte crescimento econômico nos países mais populosos do mundo e à perda de terras aráveis.

O aumento de renda leva as pessoas a consumir mais carne e laticínios, o que exige uma produção maior de grãos por unidade de área para alimentação animal. A rápida expansão da produção de biocombustíveis apenas complica a competição entre alimentos e combustível.

Além disso, as safras de arroz e de trigo tentam superar o limite genético de produção permitida pelas variedades atuais e o índice de aumento das safras não é suficiente para atender à demanda por ração para animais, alimentos e biocombustíveis para os 6,5 bilhões de habitantes do mundo. Sem melhoras significativas, o desmatamento descontrolado e a degradação ambiental serão resultados inevitáveis da tentativa de alimentar os 9 bilhões de habitantes que a Terra terá em 2050.

Debate-se agora se as mudanças climáticas reduzirão ainda mais a capacidade do mundo de se alimentar. É fundamental avaliar os efeitos de longo prazo para estabelecer políticas capazes de garantir a produção de alimentos. Infelizmente as respostas são conflitantes. Grande parte dessa polemica existe porque as pesquisas sobre produtividade de solo realizadas em estufas e em pequenas áreas – os métodos experimentais atuais – não são capazes de prever a produtividade das áreas plantadas em escala comercial; não há como comparar a produção em grande escala. Sem medições diretas sob condições realistas de crescimento, temos de recorrer a simulações por computador ou a avaliações de dados históricos – e aqui também aparecem resultados conflitantes.

Há uma necessidade urgente de quantificar melhor o impacto projetado das mudanças climáticas sobre as grandes plantações. O financiamento para experiências reais, no entanto, está diminuindo. E a vinculação dos modelos de mudanças climáticas com a produção de grãos é relativamente rudimentar.

Os formuladores de políticas dependem desse trabalho, mas os modelos são limitados pela ciência em que se baseiam. Os modelos de previsão devem ser validados por medições reais de como o clima afeta o crescimento de colheitas em ecossistemas agrícolas reais, ao longo do tempo e em diferentes regiões. Sem uma validação rigorosa, os modelos podem ser enganosos, na medida em que pequenos erros se transformam em grandes.

O seqüestro de carbono pelo solo é um desses casos. Os modelos prevêem que o solo reterá mais gás carbônico com a chamada prática de produção sem arar a terra, na qual os caules e as raízes são deixados para se decompor depois da colheita. Apesar disso, nenhum estudo recente baseado em medições diretas do solo confirmou qualquer melhora efetiva.

Não podemos ficar à espera de simulações perfeitas; decisões políticas devem ser tomadas com o conhecimento disponível, mesmo que imperfeito. O perigo, obviamente, é que políticas equivocadas baseadas em modelos incorretos possam desperdiçar bilhões de dólares. Temos de gastar mais em pesquisas reais para aperfeiçoar os modelos e poder prever melhor o impacto das mudanças climáticas. Somente depois poderemos decidir se o mundo pode suportar mais safras para alimentar os biocombustíveis.

E como sempre dizemos, um bom caldo de galinha e o princípio da precaução nunca fizeram mal a ninguém.

Porque não apoiamos plástico feito de comida – A volta do espectro de Malthus

Veri’s kleiner Winkel

Parem de achar que somos contra a ciência,  apenas porque nós fincamos uma posição firme e contra  o plástico feito de comida, seja o plástico pseudo verde da braskem – pseudo verde porque dura os mesmos 500 anos do plástico convencional – ou o plástico de amido.

Estes dois tipos de plásticos são crimes contra a humanidade, inventados para consumir nossos preciosos recursos naturais – água e terra fértil – para plantar plástico, que será consumido brevemente depois descartado no planeta, tendo usado recursos cada vez mais raros neste planeta, onde já se percebe grande diminuição de terra arável e do volume de chuvas, dentre outros fatores limitantes para a gricultura, por causa do aquecimento global.

Temos dois artigos para que vocês entendam nosso posicionamento e parem de nos rotular de ecochatos, biodesagradáveis … Vocês verão o porque temos que repudiar estes tipos de plástico, principalmente num planeta em que a matriz energética é o petróleo e a cada barril refinado, há a sobra de 7% de nafta, que se não for utilizado para fazer plástico, será imediatamente queimado nas usinas, aumentando o efeito estufa sem ter tido utilidade para os humanos.

É por isso que somos ferrenhos defensores do plástico oxi-biodegradável, que transforma o plástico convencional eterno de matriz petróleo em plástico de ciclo de vida curto, que em 18 meses já terá se degradado, deixando para trás apenas água e uma pequena quantidade de CO2 e biomassa. É por isso que criamos, em 2005, um projeto para divulgar este tipo de plástico ambientalmente correto, um plástico desenhado para o século XXI.

Scientific American Brasil de outubro de 2008

Ainda é preciso verificar se as previsões pessimistas de Malthus estão se tornando realidade ou se simplesmente estão sendo adiadas

por Jeffrey Sachs – diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia

Em 1798 Thomas Robert Malthus fez uma previsão famosa que ganhos de curto prazo nos padrões de vida, inevitavelmente seriam desestabilizados à medida que o crescimento da população mundial superasse a produção de alimentos, e assim levando os padrões de vida a voltar aos níveis de subsistência. “Estamos condenados pela tendência de a população crescer em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética”, comentava na época.

Durante 200 anos, economistas afirmaram que Malthus ignorou o avanço tecnológico, o que teria permitido que a curva de crescimento da população se mantivesse à frente da curva de alimentos. O argumento é que a produção de alimentos pode na verdade crescer geometricamente porque além da terra, a produção depende também do know-how. Com os avanços na produção de sementes, nutrientes do solo, reposição de nutrientes ─ como fertilizantes químicos ─, irrigação, mecanização e outros, os suprimentos de alimentos podem permanecer bem à frente da curva de crescimento da população. Em outras palavras, os avanços tecnológicos em todos seus aspectos ─ agricultura, energia, uso da água, manufatura, controle de doenças, gerenciamento de informação, transporte, comunicações ─ permitem que a produção de alimentos cresça mais rápido que a população.

Um outro fator, ao que tudo indica, que solapa o argumento de Malthus é a transição demográfica. De acordo com essa transição, as sociedades passam de condições em que altos índices de fertilidade são, a grosso modo, compensados por altos índices de mortalidade, para condições de baixos índices fertilidade, com baixas taxas de mortalidade. Malthus não contava com os avanços na saúde pública, planejamento familiar e métodos modernos de contracepção, que juntamente com a urbanização e outras tendências, resultariam num declínio acentuado nas taxas de fertilidade chegando até abaixo da “taxa de substituição” de 2,1 filhos por casal. Talvez a população do mundo tenha revertido sua tendência de crescimento em progressão geométrica.

As críticas ao pessimismo de Malthus resistiram por longo tempo. De fato, quando eu estudava economia, o raciocínio de Malthus era alvo de galhofa, considerado por meus mestres como exemplo de previsão ingênua totalmente equivocada. Além disso, desde a época de Malthus, os salários médios no mundo todo aumentaram em pelo menos uma ordem de grandeza, de acordo com analistas econômicos, apesar de a população ter aumentado de cerca de 800 milhões em 1798 para 6,7 bilhões atualmente.

Alguns economistas chegaram ao ponto de afirmar que o alto crescimento das populações teria sido a maior razão para a melhoria de padrão de vida, e não um entrave. De acordo com essa interpretação, a octuplicação no aumento da população desde 1798 fez crescer proporcionalmente o número de gênios, além disso, são os gênios os responsáveis pelos avanços globais da humanidade. Costuma-se dizer que uma grande população é tudo de que se precisa para promover o progresso.

Na verdade o espectro de Malthus não foi exorcizado — ao contrário, longe disso. O aumento de know-how não só permitiu obter mais saídas para as mesmas entradas, mas também melhorou nossa capacidade de vasculhar a Terra em busca de mais entradas. Essa primeira revolução industrial começou com a utilização de combustíveis fósseis, particularmente o carvão, através das máquinas a vapor de Watt.

A humanidade estava presa a depósitos geológicos de energia solar primordial, armazenada na forma de carvão, petróleo e gás para atender suas necessidades modernas. Aprendemos a escavar minerais em locais mais profundos, pescar com redes maiores, mudar o curso de rios para formar canais e represas, nos apoderar de mais habitats de outras espécies e derrubar florestas com ferramentas mais poderosas para limpar grandes áreas. Inúmeras vezes, não conseguimos mais por menos, mas ao contrário sempre, mais por mais, convertendo ricas histórias de capital natural em altos fluxos de consumo atual. Boa parte do que chamamos de “lucro” ─ no sentido lato do valor agregado à atividade econômica ─ é na verdade uma redução ou uma perda do capital natural.

E embora o planejamento familiar e os métodos contraceptivos tenham de fato assegurado um baixo índice de fertilidade em muitas partes do mundo, a taxa de fertilidade geral permanece em 2,6, muito acima da taxa de substituição. A África subsaariana ─ região mais pobre do mundo ─ ainda tem uma taxa geral de fertilidade de 5,1 filhos por mulher, e a população global continua a crescer a uma taxa de cerca de 79 milhões por ano, com o maior aumento nos locais mais pobres. De acordo com previsões de fertilidade média da Divisão de População das Nações Unidas, estamos em vias de atingir 9,2 bilhões de pessoas na metade do século.

Se de fato continuarmos a consumir uma quantidade desmedida de petróleo e tivermos falta de alimentos, se reduzirmos as reservas fósseis de água do subsolo e destruirmos as florestas restantes e devastarmos os oceanos e enchermos a atmosfera com gases do efeito estufa, que pode provocar descontrole no clima da Terra com elevação do nível dos oceanos, poderemos estar confirmando a maldição de Malthus, embora tudo isso possa ser evitado. A idéia que know-how aprimorado e redução voluntária de fertilidade possam sustentar um crescente nível de ganhos para o mundo parece correto, mas somente se futuras tecnologias nos permitirem economizar o capital natural e não apenas encontrar maneiras mais inteligentes de reduzi-lo, de forma mais barata e rápida.

Nas próximas décadas teremos que migrar para energia solar e energia nuclear segura, uma vez que ambas fornecem, em princípio, energia limpa ─ se compararmos com a energia atual ─ adequadamente vinculadas a tecnologias aprimoradas e controles sociais. O know-how terá que ser aplicado a automóveis com alto rendimento (alta quilometragem por litro), agricultura com reaproveitamento da água e edifícios verdes que reduzam fortemente o consumo de energia. Teremos que repensar as dietas modernas e os projetos urbanos para conseguir estilos de vida mais saudáveis que também rejeitem padrões de consumo intensivo de energia. E teremos que ajudar a África e outras regiões a acelerar a transição demográfica para níveis de fertilidade de substituição, a fim de estabilizar a população global em torno de 8 bilhões.

Não há nada, num cenário sustentável como esse que viole as restrições de recursos ou disponibilidade de energia da Terra. No entanto, ainda não estamos seguindo essa trajetória sustentável, e os sinais do mercado atual não estão nos conduzindo por esse caminho. Precisamos de novas políticas para movimentar o mercado de forma sustentável ─ por exemplo, taxando o carbono para reduzir emissões de gases do efeito estufa ─ e para promover progressos tecnológicos em economia de recursos e não em mineração de recursos. Precisamos de novas políticas que reconheçam a importância de uma estratégia de crescimento sustentável e mobilização global para consegui-la.

Será que Malthus foi derrotado? Depois de dois séculos, realmente ainda ninguém sabe.

Paraná – Envasadores de long neck multados em 7 milhões

Um passarinho muito verde nos confidenciou que no início de maio de 2009 as envasadoras de long neck foram multadas em 7 milhões por não fazerem logística reversa e não comprovarem que esta embalagem é ambientalmente sustentável.

O que nos tem intrigado é que não encontramos nada na mídia, alguém ficou sabendo de alguma coisa?

Precisamos urgentemente de todos os detalhes, porque esta é mais uma vitória do estado do Paraná sobre os empresários inescrupulosos que só visam lucro sem ter que arcar com sua responsabilidade pelo resíduo resultante do produto que fabricam.

Será que as envasadoras estão presenteando a mída com exemplares do objeto da multa?

Piada do polietileno verde (piadinha sem graça para a humanidade)

 

Deeble - foto de queimada de canavial

Lemos hoje no portal terra na página do mercado ético – sua plataforma global para sustentabilidade a seguinte notícia, empresa brasileira produzirá plástico biodegradável em larga escala.

Já estamos nos irritando com tanta publicidade em cima de um crime ambiental e pior, enganosa.

Primeiro que o título já está incorreto, porque este plástico é não é biodegradável, só vai se decompor após 500 anos, exatamente como plástico tradicional eterno, só troca a origem da matéria prima, que ao invés de vir do petróleo vem da cana de açúcar.

Depois, sinceramente, quando um faminto pedir um prato de comida para você, você irá dar uma sacola de polietileno verde para ele se alimentar a matar a fome? Qual o sentido de se usar terra fértil e água, recursos naturais cada vez mais raros para plantar cana para fazer plástico e que ainda irá durar 500 anos? Resposta, mais lucro para a bras quem? e nada de comprometimento desta empresa com o planeta, como sempre. Esta empresa pratica o capitalismo selvagem, isto é, lucro sem responsabilidade ambiental.

Acorde, não caia neste conto de fadas do polietileno pretensamente verde da bras quem?

Mesmo o plástico de amido, que é biodegradável em ambiente biologicamente ativo, isto é, composteiras ainda é um crime contra a humanidade e o planeta, pois exaure o solo, utiliza água para plantar batata, mandioca, milho e outros alimentos que deveriam estar alimentando a humanidade e não sendo utilizados para fabricar sacolinhas que serão utilizadas por no máximo meia hora.

Sacolas plásticas de uso único tem que ser banidas, relegadas ao esquecimento como uma infeliz invenção da humanidade. Essas  malditas sacolas demoram um segundo para serem fabricadas, são utilizadas por meia hora no máximo e depois ficam por aí, 500 anos assombrando a humanidade com sua poluição. Lembre-se de que as sacolas plásticas de uso único correspondem a 50% de todo o plástico fabricado e que o plástico corresponde a 20% de todo o lixo recolhido – ou jogado fora – todos os dias em todo o planeta.

Quanto ao plástico para outras aplicações, esse tem que ser plástico oxi-biodegradável, que em um ano e meio já terá se oxi-biodegradado, decomposto, voltado ao solo como se nunca tivesse existido. Estamos falando de plástico para envolver carnes no açougue, para embalar pão, sacos para frutas, legumes e verduras, plástico flexível – aquele que vem protegendo a bandeja de isopor que também deve ser oxi-biodegradável que tem dentro 5 fatias de presunto e que será consumido em apenas uma refeição -, afinal, qual o sentido em você comprar um iogurte, tomar em 5 goles e depois o recipiente do iogurte ficar de herança para seus descendentes?

Leia abaixo textos técnicos que se aplicam ao plástico feito de comida.

Cana-de-açúcar como matéria prima de fonte renovável: De acordo com Fioravanti (Fioravanti C. Mais alimento e florestas no ar – erosão e poluição. São Paulo: Revista Fapesp número 148, páginas 43-45, julho de 2008), os métodos de produção de cana-de-açúcar no Brasil ainda se assemelham àqueles utilizados há aproximadamente cinco séculos, embora a produtividade tenha aumentado. Lavouras são estabelecidas devastando-se florestas nativas. A fumaça das queimadas, antes do corte da cana, agrava doenças respiratórias, tais como asma, especialmente em crianças e idosos. Outros efeitos são a erosão e a compactação dos solos, e a poluição dos rios com fertilizantes e resíduos da produção do açúcar e do álcool. O modelo de produção da cana está longe de ser ambientalmente sustentável, embora a cana seja uma fonte de matéria-prima renovável. Para cada litro de etanol, são produzidos 10-12 litros de vinhaça, um resíduo marrom de aroma forte, corrosivo e rico em matéria orgânica, cujo destino é incerto, uma vez que poucas plantas são capazes de usar como fertilizante para cana-de-açúcar toda a vinhaça que produzem. O cultivo polui os rios da mesma forma que o esgoto orgânico o faz, causando eutrofização da água, com depleção do oxigênio dissolvido e mortandade de peixes. Na época das queimadas (novembro-abril), as admissões hospitalares aumentam em três vezes, devido a problemas respiratórios. As partículas transportadas pelo vento e pela chuva contêm resíduos de pesticidas, inclusive alguns que já foram banidos, mas que ainda são usados. As tecnologias de plantio intensivo, certamente as favoritas entre as grandes companhias, que adoram altos lucros a curto prazo, empregam fertilizantes e pesticidas em altas concentrações, os quais conduzem ao contínuo envenenamento do solo e da água. O uso intensivo da terra causa erosão e compactação, com a conseqüente perda de solo. A mão de obra empregada é paga miseravelmente, e está sujeita a condições de trabalho quase desumanas.

Observa-se que as condições acima também se aplicam a todos os biopolímeros e até aos biocombustíveis. Uma avaliação integral do ciclo de vida torna-se necessária.

Tecnologia para produção de etileno a partir de etanol: De acordo com Garcia (Garcia, CB. Mercado de gás natural dos setores químico e termo-elétrico para os próximos dez anos no Estado da Bahia. Dissertação de mestrado, Universidade de Salvador – Departamento de Engenharia e Arquitetura, Salvador, 2005, 223 p.), na década de 1980, a Salgema (unidade posteriormente incorporada à Braskem) tinha uma planta de etileno a partir da desidratação do etanol obtido da cana-de-açúcar, em Maceió, Alagoas. Esta planta foi construída em um período de encorajamento governamental ao etanol (Programa Pró-Álcool), mas foi fechada no início da década de 1990, por falta de competitividade em relação ao etileno produzido da nafta. Em 2000, esta planta estava abandonada e pesadamente erodida pela atmosfera marítima de Maceió. Contudo, a partir de 2004, com os preços do petróleo alcançando o nível de US$ 60 o barril, houve uma elevação no preço da nafta, que reduziu a diferença de custos entre as duas rotas produtivas. Além disso, a crescente produtividade por hectare na produção de cana e o uso de produtos verdes de fontes renováveis auxiliaram a tornar possível a produção de etileno a partir do etanol.

A planta de polietileno verde: Esta planta foi celebrada recentemente pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, por ter sua instalação decretada neste Estado. Para receber a planta, o governo do Estado teve de renunciar a impostos, deixando de recolher valores que poderiam trazer significativos melhoramentos sociais e econômicos. A planta produzirá 200 mil toneladas anuais de polietileno em 2010 (já se fala em 2011) e custará 160-200 milhões de dólares, gerando apenas 100 novos empregos diretos. A fonte de energia será baseada na queima de carvão gaúcho, que possui cerca de 50 % de cinzas e quantidades significativas de enxofre.

O produto polietileno verde: Braskem costuma não mencionar aos clientes, quando faz propaganda de seu polietileno verde, que o material não é biodegradável, sendo idêntico ao polietileno comum, exceto pelos isótopos de carbono 14. A companhia tem promovido apresentações e seminários, além de visita a clientes, por todo o país. De acordo com alguns comentários obtidos na internet, como o “polietileno verde” não é biodegradável, os resultados se resumem em remover o carbono da cana de açúcar (obtido com toda a poluição inerente para convertê-lo em polietileno comum) e depois depositá-lo, mais tarde, principalmente em aterros sanitários brasileiros, ou na rua, nos solos e águas, etc.

Há muito a imagem ambiental da Braskem, representada pela Plastivida, estava muito deteriorada. Surpreendentemente, e milagrosamente, sem que se tivesse qualquer notícia prévia sobre interesse, atividades e parcerias com instituições nesse sentido, surgiu o polietileno verde, a partir do nada, para salvar a imagem ambiental da Braskem, provando que a empresa sempre estivera comprometida com o ambiente. Falou-se que esse projeto era um dos dois grandes projetos da companhia (juntamente com o de nanocompósitos, cujo resultado também não se viu no mercado, apenas na mídia). Falou-se que o polietileno verde foi desenvolvido pelo centro de tecnologia da empresa com cinco milhões de dólares até o nível de planta piloto. O produto foi “certificado” pelo laboratório Beta Analytics (Florida, EUA). Na realidade, o certificado não declara nenhum produto como “verde”, apenas declara o óbvio, isto é, que a matéria-prima era de fonte renovável, afinal foi obtido da desidratação do etanol da cana-de-açúcar.

Tudo isso parece mostrar que o real interesse da companhia não é outro senão sobreviver, crescer e perpetuar-se a qualquer preço. Com lucro, muito lucro, obtido sabe-se lá com que métodos.

Por mais que se esforce em ter uma imagem verde, a Braskem nunca pareceu realmente interessada na preservação ambiental. Sua única motivação parece ser o lucro elevado ao infinito, e sem limites. Recentemente, a companhia Odebrecht, controladora da Braskem, foi chamada de corrupta e corruptora pelo presidente do Equador, sendo banida daquele país. Investigações também estão sendo conduzidas na Venezuela, por sonegação de impostos. No Brasil, há muitas notícias de corrupção envolvendo a companhia Odebrecht, reportadas em jornais e revistas. A mesma parece ter facilidade em obter apoio de políticos, sindicatos e outras associações, em defesa de seus interesses.

O lado positivo de tudo isto é o reconhecimento da companhia de que todos os outros produtos por ela manufaturados não são realmente verdes: devem ter outras cores, tais como preta, cinza, marrom, roxa… Já é alguma coisa: é o reconhecimento de que poluem, e de que a reciclagem não consegue impedir a poluição, pois não funciona com as sacolas plásticas descartáveis.