Projeto Canto das Ervas – sábado, 29 de agosto de 2009

Finalmente o segundo semestre de 2009 começou. Por causa da gripe suína – e não adianta insistir, porque não vamos chamar de gripe A só porque os suinocultores querem – todo o sistema de ensino deu uma parada por precaução, e os estagiários do segundo semestre estão chegando aos poucos. Por isso, começamos o estágio somente neste sábado, durante as atividades do Projeto Canto das Ervas.

Primeiro, explicamos os projetos para os novos estagiários, para ver que se identifica com cada projeto para separar os grupos. O Charles, que é o responsável pelos estagiários, junto com o Cláudio e  Ana fizeram um palestra sobre a FUNVERDE e todos os seus projetos, dando como dever de casa, ler a página da FUNVERDE para conhecer mais a ONG onde eles farão estágio.

Depois, o Cido, responsável pelos estagiários nos trabalhos de campo – Projeto Mata Ciliar e Projeto Canto das Ervas – deu uma aula básica de jardinagem para os estagiários poderem iniciar o plantio. Você não tem noção, mas chega estagiário achando que pode fazer o plantio sem retirar a planta do saco plástico.

As primeiras orquídeas que foram plantadas no início de abril deste ano nas árvores próximas ao Projeto Canto das Ervas estão começando a florescer.

Sabe aquela orquídea que você ganhou e acabou a floração e agora você não quer mais saber dela? A FUNVERDE aceita doações de orquídeas rejeitadas para plantar nas árvores da cidade, sempre plantando próximo ao canto das ervas.

As ervas que foram plantadas hoje. É só o restinho que sobro do último plantio, mas o local para o plantio também é pequeno.

Este é o local, embaixo de duas árvores recém plantadas pela prefeitura. Apenas um cantinho minúsculo, mas cada cantinho pode ser utilizado para plantar ervas aromáticas e medicinais e este é o propósito do projeto, mostrar que não é necessário grandes espaços para plantar ervas, qualquer cantinho é produtivo, ainda mais com a terra roxa do Paraná.

Os primeiros estagiários chegando, atrasados … que isso não se torne rotina.

Depois de termos plantado todas as ervas sob um sol inclemente, como sempre nós fizemos uma atualização dos assuntos que estão na mídia relacionados com o meio ambiente como esses assuntos e relacionam com nossos projetos.

Só para lembrar, as vagas de estágio estão abertas até o dia 19 de setembro para vários projetos.

São vagas para o ensino técnico e de graduação – universitário.

Projeto Canto das Ervas, 19 de abril de 2009

Aprendendo a tirar água do galão de 200 litros para passar para os baldes.

Utilizando até a última gota do tambor para aguar as plantas.

Canteiro antes dos roubos.

Ótimo lugar para levar seus filhos para plantar ervas. Junte-se a nós, você e sua família serão muito acolhidos e seus filhos terão contato com a terra, aprendendo para que servem as ervas aromáticas.

Trouxemos muitas ervas para repor o que foi roubado na semana.

Nossa primeira voluntária, ela caminha sempre em volta do bosque e perguntou se poderia nos ajudar a plantar e é claro que aceitamos, voluntários são sempre benvindos.

Venha você também, todos os domingos, das nove ao meio dia, plantar ervas aromáticas e medicinais em nossa cidade.

Projeto Canto das Ervas, 10 de abril de 2009

Fomos na sexta-feira, dia 10 de abril, ver se apenas uma rega por semana seria suficiente para as plantas e claro que muitas outras mudas sumiram, como já comentei no post anterior.

O incrível é que muitos caminhantes – este local é um local de caminhada para os moradores do entorno do parque – disseram estar indignados, porque muita gente estava caminhando, se abaixava, roubava as plantas na frente de todos os outros caminhantes e nem se sentiam culpados de estarem cometendo um crime.

Claro que pedimos para as pessoas recriminarem quem faz isto, mas as pessoas dizem ficar constrangidas de chamar a atenção do ladrão.

Assim não dá, só contar que viu o roubo não adianta, tem que vigiar e nos ajudar a não deixar roubar, afinal, nós não caminhamos naquele local, plantamos as ervas para quem caminha no local, as ervas serão para eles apreciarem.

Abaixo, só os buracos, porque as mudas foram roubadas.

As mudas de salsinha e cebolinha, como tem no supermercado, ninguém roubou, por enquanto.

Trouxemos um barril de 200 litros para aguar as ervas.

O restinho da água, que não deu para colocar no regador através do cano, foi despejada direto do tambor.

Observe o tamanho das árvores deste bosque, enormes e lindas.

Projeto Canto das Ervas, o dia seguinte

Dia 06 de abril de 2009, segunda-feira

Todos os domingos, desde o dia 5 de abril de 2009, das nove até onze horas ou meio dia estamos cuidando do nosso cantinho no Bosque II, o canto que escolhemos para inaugurar o projeto canto das ervas, que busca resgatar a tradição do uso de ervas aromáticas e medicinais com um reaprendizado do que se perdeu nas últimas gerações.

Note que desde o lançamento não escrevi mais nada, mas não porque o projeto tenha parado, o que aconteceu foi que eu fiquei tão chocada com os fatos ocorridos desde o fatídico dia 05 de abril, que criei um bloqueio e somente agora, quase um mês e meio depois resolvi transpor este bloqueio e voltar a falar deste projeto maravilhoso – e sem modéstia, maravilhoso como todos os outros projetos desta fundação de meio ambiente.

Tudo começou no domingo, dia do lançamento do projeto, em que plantamos 300 mudas de 20 espécies de ervas aromáticas e medicinais.

O povo passava e via as mudas espalhadas perto dos buracos e já vinha pedindo, “dá uma muda, só uma” e quando explicávamos que era parte de um projeto tinha gente que ficava brava, dizendo que só uma muda não fazia diferença. Porque estas pessoas não vão em um viveiro e compram as mudas? Coisa de brasileiro pidão.

Outras pessoas pediam mudas para um e quando negávamos, pedia para outro e outro e assim sucessivamente, uma pobreza de espírito de dar dó.

Teve gente que ao ver o Toruo, um japonês, plantando, perguntava se era para vender na feira. Imagine a cara de ódio que ele fazia.

Para outros estagiários diziam que estávamos usando terreno público para fazer concorrência com os feirantes e causar prejuizo para eles.

Incrível, cada comentário mais idiota do que outro, vontade de mandar todo mundo procurar sua turma – nota do censor, o comentário era melhor.

Quanto aos pidões, nas semanas seguintes arranjamos uma resposta padrão, quer muda? Nós vendemos. R$ 10,00 cada uma. Claro que daí vinha a resposta “nooossa, que caro” “mas eu quero dado, não quero comprar” e assim por diante. Teve uma que foi ótima, uma senhora quebrou a muda e disse na maior cara lavada “olha, tinha um galhinho caído do lado da muda e eu peguei, tá!”. Uia, não me engana que eu não gosto.

Oras, se todo mundo sabe onde tem uma muda para comprar, até nos supermercados, na feira livre, em floriculturas, para que ficar pedindo, sabendo que estas mudas tiveram um custo, a FUNVERDE adquiriu para o projeto e não para fazer doação, caramba.

E olhe que escolhemos o bosque II, atrás do country clube porque ali fazem caminhada as pessoas mais esclarecidas da cidade e de maior pode aquisitivo. Pensamos que estas pessoas jamais iriam se rebaixar e roubar nossas plantas. Não poderíamos estar mais enganados, durante abril e maio, o índice de roubo foi de aproximadamente 10% a cada semana. Para sabermos quantas estavam sumindo, fizemos canteiros de 10 e 15 mudas em cada local, assim, se alguma sumisse, saberíamos.

A cebolinha francesa – 15 mudas – foram embora na segunda semana e como é uma cebolinha que quase ninguém conhece, certamente foi algum gourmet amante da comida francesa e muito pobre de espírito que roubou.

O Toruo, que trouxe as mudas de cebolinha japonesa – nirá – arrancou todas do local e colocou em um local mais escondido, para nenhum adorador de comida oriental roubar também, banzai.

Arruda, pelamordegaia, plantamos inicialmente 15 e não sobrou nenhuma folhinha, não adianta plantar, porque quanto mais plantamos, mais roubam. É só voltar no dia seguinte que sumiram todas. Você sabe para que né? Para fazer algum benzimento. Alguém até sugeriu plantarmos alguma erva com a qual se fizesse chá de sitocol, sacou? Para ver se o ladrão de arruda se toca de que o que ele está fazendo é crime, hahaha.

Desde o dia 5 de abril, todas as semanas estamos plantando de 50 a 100 mudas para aumentar o canteiro e repor as roubadas. Somente na primeira semana de junho, semana passada o roubo diminuiu. Deve ser porque os ladrões já estão com o canteiro cheio, não cabe mais nada.

Vergonha de ser maringaense, povo estúpido, pobre de espírito, não adianta fazer nada por eles que eles só retribuem com ingratidão, foi isso que nós, membros, voluntários e estagiários da FUNVERDE pensamos logo após se iniciarem os roubos, mas não desanimamos, porque um dia essa gentalha tem que aprender que é bom morar em uma cidade limpa, que é bom ao ter uma dor de estômago, ter uma losna para pegar uma folhinha e fazer chá, que naquela noite de insônia, dá para pegar um pouco de camomila para fazer um chá lá no canto das ervas.

Mas porvalhala, esperem as ervas formarem touceiras, não me arranquem a muda recém plantada, isso é muita mesquinharia, muita pobreza, coisa de gente porca, que não sabe ser civilizada. Se as pessoas esperarem até a primavera, vai ter muda para todo mundo pegar uma folhinha, as touceiras estarão formadas e tirar uma muda da planta mãe não fará diferença, mas agora, arrancar a muda que nem se formou é o fim da picada.

Na segunda-feira, dia 06 de abril, depois do primeiro plantio, fomos ver nossas amadas plantas, como pais orgulhosos. Afinal, lançar um projeto é maravilhoso, já imaginando que quando as plantas crescerem, como ficará lindo o local, com seus aromas tão diferenciados das ervas aromáticas. Foi daí que já tomamos o susto inicial, porque, onde tínhamos posto placa com nome das plantas, foram arrancadas muitas ervas, teve lugar em que levaram até a placa. Decerto para por ao lado da planta roubada lá na sua horta.

Só podia acontecer em Maringa mesmo, ô gentinha pequena. Não conseguimos digerir isto até agora, parece que o que não está cercado com arame farpado, circuito de vigilância, cão de guarda, guarda armado e cerca elétrica pertence a todos, todos se acham no direito de simplesmente pegar, roubar, levar.

Já ouviram falar de propriedade alheia? Essas devem ser as mesmas pessoas que ficam arrancando flores da calçada dos vizinhos, dos parques da cidade, do canteiro central, gente jeca.

Vou tentar postar uma vez por dia o projeto canto das ervas, até chegar a data atual.

Desculpe o desabafo, mas tenha dó, que gente imbecil, que gente mais sem noção habita esta cidade.

Lançamento do Projeto Canto das Ervas

Primeiro, a foto oficial do lançamento do projeto, mas pelo menos metade do pessoal ficou de fora porque chegou após as 9 horas.

Não deu para enquadrar todas as 300 ervas, muitas estão no canto direito, o fotógrafo deveria ter pedido para o pessoal se deslocar mais para a direita, problema de fotógrafo amador, desculpem.

Ficamos conversando até dar nove e meia, porque neste país infelizmente sempre temos de dar a meia meia hora de tolerância, se marcamos às nove, inevitavelmente iremos começar às nove e meia, mas na foto oficial só aparece quem chega na hora como forma de incentivo para as pessoas serem mais pontuais.

Ao fundo o caminhão da VIAPAR, que gentilmente cedeu o caminhão pipa para regar as ervas. Nossos agradecimentos à diretoria da VIAPAR, sempre disposta a nos ajudar em nossos projetos para melhorar o meio ambiente.

Recebemos a visita pela primeira vez do Toruo, que suou literalmente a camisa.

Dividimos as pessoas em grupos por tarefa. Enquanto uns aprofundam os buracos feitos ontem, outros distribuem as mudas em grupos por espécie nos buracos, outros colocam adubo orgânico nos buracos e misturam com a terra … dividir para multiplicar.

Filmagem para o jornal da globo local.

Depois das ervas aromáticas plantadas, é hora de regar as plantas. O presidente da FUNVERDE em cima do caminhão pipa da VIAPAR, aguou duas vezes as plantas. Note que tem uma pessoa que vem atrás a pé com um triângulo de sinalização e outro avisando aos motoristas para diminuirem a velocidade.

Agora é a hora da colocação das orquídeas, para deixar o local ainda mais belo. Claro, que devido aos cleptomaníacos, estamos colocando as orquídeas em um local de difícil acesso, bem no alto.

Separando as mudas.

Fazendo malabarismo para plantar as orquídeas, tudo porque se plantarmos em local de fácil acesso, amanhã mesmo já terão sido furtadas.

Depois do plantio, hora de guardar as ferramentas na carreta e ir descansar o resto do dia, porque segunda-feira a vida continua.

Uma última passada do caminhão aguando.

Vecchi, da próxima vez não deixaremos você escapar, vai ter que nos ajudar a plantar.

Enquanto plantávamos não tinha uma nuvem no céu, mas no final da tarde caiu uma tempestade forte, por isso hoje fomos ver como afetou as plantas e ao que parece elas adoraram o chuvaréu.

Uma idéia na cabeça, uma vontade de mudar o mundo, voluntários com a mesma vontade e dá nisso, queremos plantar um canto das ervas por mês, sempre aos domingos.

Se você tiver alguma erva em sua casa traga para nós plantarmos em um local público, para que todos possam usufruir deste contato com a natureza.

Preparando o lançamento do Projeto Canto das Ervas

Esta semana foi um loucura, pura correria para deixar tudo organizado para o lançamento do Projeto Canto das Ervas neste domingo, dia 05 de abril de 2009.

No sábado, os estagiários e voluntários do Projeto Mata Ciliar se deslocaram do Parque do Japão para o Bosque II para roçar a grama e fazer os buracos para o plantio de amanhã.

Iniciamos explicando o projeto para quem não veio na reunião de estagiários do sábado passado.

Com o espaçamento previsto de 50 centímetros entre mudas, medimos 150 metros e iniciamos os buracos de 50 em 50 centímetros.

As folhas e o capim roçado jogamos para dentro do bosque para virar adubo.

Nesta foto dá para ver a distância do início até o final do plantio, tirei a foto na marca dos 150 metros.

A terra, que superficialmente está mole, já aos 10 centímetros está incrivelmente compactada, o que provocou bolhas nas mãos de muita gente apesar disponibilizarmos luvas, a maioria não utiliza e para a maioria das pessoas a única ferramenta que usam para o trabalho é o teclado do micro, então, só podia acabar em bolhas a utilização da enxada.

Os furos foram superficiais, somente para marcar espaçamento, amanhã temos que aprofundar os buracos para 30 centímetros de profundidade por 30 cm de largura, para poder adicionar adubo orgânico, no caso usamos terra preta.

Ficamos das duas até as 5 da tarde, mas está tudo preparado para amanhã.

Após o pessoal ir embora o Manoel e a Silmara que estavam de pickup foram conosco ao viveiro para carregar as mudas e nós fomos com a carreta para carregar o adubo orgânico.

A pickup virou uma horta sobre rodas.

Tudo preparado para o domingo, agora é ir para casa e se recuperar das bolhas nas mãos porque amanhã tem mais trabalho braçal.

Fundação Verde lança Canto das Ervas

Jornal do Povo de 04 de abril de 2009

A Fundação Verde (Funverde) lançará amanhã, às nove horas, o projeto Canto das Ervas, sendo que durante o evento haverá o plantio de 300 mudas de ervas no entorno do Bosque II, na avenida Nóbrega esquina com avenida Juscelino Kubitschek.

A Organização Não Governamental visa a preservação e recuperação ambiental e o bem estar da humanidade, conscientizando a população em relação a importância do consumo sustentável.

Segundo a instituidora da Funverde, Ana Domingues, o projeto Canto das Ervas foi criado para chamar a atenção da comunidade para a necessidade de se resgatar hábitos saudáveis.

“Antigamente, tínhamos o hábito de ir até a horta para colher ervas para tempero ou para chá. Hoje, compramos as ervas nas feiras e supermercados sem muitas vezes saber como são cultivadas. Com este projeto estamos trazendo de volta uma qualidade de vida que não temos mais, proporcionando o contato das pessoas com a terra”, explica Domingues.

A criadora da ONG lembra que a vida moderna está distanciando o homem da natureza e acredita que o Canto das Ervas proporcionará bem estar físico e mental às pessoas, resgatando o conhecimento que um dia foi de nossas avós.

“Era normal, para as gerações antigas, o preparo de chás e remédios homeopáticos. As pessoas sabiam a utilidade de cada erva aromática. Queremos trazer de volta a lembrança de nossa infância com os aromas e sabores”, disse Domingues.

O projeto Canto das Ervas será desenvolvido em locais públicos, para que toda a comunidade seja beneficiada. O projeto tem apoio da Viapar e da prefeitura de Maringá e as plantas serão regadas uma vez por semana e ficarão à disposição da população para serem recolhidas.

No site da Funverde – www.funverde.org.br – há mais detalhes do projeto e das plantas, a utilidade e como tirar proveito de cada uma das ervas.