Fecomercio promove o 1° Prêmio de Sustentabilidade

E a FUNVERDE se sente honrada em compor a banca julgadora.

FECOMÉRCIO de 01 de setembro de 2009

A Fecomercio anuncia, no dia 23 de setembro, o nome dos vencedores do 1° Prêmio de Sustentabilidade organizado pela entidade. O Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade foi lançado no ano passado em comemoração aos 70 anos da Federação e da crescente discussão sobre sustentabilidade que ocorre em todo o mundo. O prêmio visa a premiar as empresas que apresentarem os melhores projetos ambientalmente corretos.

Os participantes foram distribuídos em quatro categorias: 1) Grande Empresa, 2) Pequena e Média Empresa e 3) Microempresas e 4) Sindicatos e Entidades, sendo que apenas o primeiro colocado de cada uma delas receberá um prêmio de R$15 mil.

A iniciativa faz parte da campanha Fecomercio Sustentável que tem a finalidade de incentivar a criação de soluções práticas e viáveis que contribuam com a preservação ambiental.

“O Brasil precisa crescer, sobretudo, incorporando a dimensão da sustentabilidade socioambiental à sua cultura. Só assim construiremos um futuro de paz e um planeta de todos”, diz Abram Szajman, presidente da Fecomercio.

Ao todo, foram inscritos 28 projetos, totalizando 26 empresas participantes e uma entidade empresarial. Um ponto importante que o 1° Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade também expõe é a possibilidade de uma empresa de pequeno ou médio porte, que possua recursos limitados, realizar grandes projetos sustentáveis.

Segundo a Fecomercio, o evento também tem o intuito de atentar aos empresários sobre a importância de assumirem responsabilidades sociais e ambientais. De maneira geral, todos os projetos apresentaram idéias inovadoras, práticas e que se fazem cada vez mais necessárias, sendo muito bem conceituados pela organização e pela banca julgadora.

A banca é formada por entidades que possuem o compromisso de preservação ambiental. Entre elas, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Sesc, Senac, CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), Fairtrede-Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, FUNVERDE – Fundação Verde, IBA (Instituto Brasil Ambiental), ONG 5 Elementos, Banco Itaú, Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, ADBL (Associação Brasileira de Desenvolvimento de Lideranças e a Companhia Textil Castanhal.

Confira a lista dos finalistas em cada categoria:

CATEGORIA ENTIDADE:

SINCOQUIM – Prodir Processo de Distribuição Responsável

CATEGORIA MICRO EMPRESA:

Panificadora Pão Francês – Revelando Talentos
Projeto Terra – A vitrine do comércio solidário
Tekoha – Rede Tekoha

CATEGORIA PEQUENA E MÉDIA EMPRESA

Biblioteca de Idéias – Polibrasil
Editora Mol – Sorria – A revista como ação social
Supermercado Ademar – Multiplicadores de Sustentabilidade

CATEGORIA GRANDE EMPRESA

Casas Bahia – Amigos do Planeta
Grupo Pão de Açúcar – Pão de Açúcar de Indaiatuba – Loja Verde
Leo Madeiras – Escola da Marcenaria Moderna

Sobre a Fecomercio

A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa 151 sindicatos patronais, que abrangem cerca de 600 mil empresas, o que corresponde a 10% do PIB brasileiro e gera em torno de cinco milhões de empregos.

Paraná: jogo duro com grandes geradores de resíduos

 

Revista Reciclagem Moderna nº 15 de março/abril de 2009

Entrevista com Laerty Dudas – Coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná

Já há algum tempo, a Europa decidiu arregaçar as mangas para implantar ações em prol do meio ambiente. Entre essas ações está a introdução da Diretriz ROHS – Restriction of Hazardous Substances – que limita ou impede o uso de metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio em equipamentos eletroeletrônicos. Em outra linha de ação, os países-membro da Comunidade Européia conseguiram elevar os níveis de reciclagem em materiais como plástico e papel.

No Brasil, entretanto, ainda faltam leis para fiscalizar ou regulamentar o uso e descarte de uma série de produtos. Interesses empresariais e a falta de conhecimentos técnicos por parte de alguns agentes dificultam ou atrasam leis e decretos que poderiam dar melhor destino a algumas substâncias perigosas, ou, em outros casos, elevar os níveis de reciclagem no país. Basta ver o que está acontecendo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que se encontra emperrada no Congresso devido à uma série de discussões entre o poder público e empresas geradoras de resíduos.

No estado do Paraná, porém, a responsabilidade do fabricante de produtos começa a ser discutida e cobrada pelas autoridades. A emissão das ações pró ambiente do estado estão sendo coordenadas pela Secretaria do Meio Ambiente e, muitas vezes, com o apoio do Ministério Público do Estado.

Em 2003, o governo paranaense lançou o Programa de Desperdício Zero, projeto que deu origem à Política Estadual de Resíduos Sólidos. Passados seis anos de implantação dessa política, o Paraná tornou-se o principal Estado do País a endurecer o jogo com as empresas geradoras de resíduos sólidos. O resultado dessa atuação do Estado foi uma avalanche de reuniões, dezenas de multas e até mandatos de segurança solicitados pela Reciclanip – a entidade criada pelas empresas fabricantes de pneus Bridgestone Firestone, Goodyear, Michelin e Pirelli.

Nesta interessante entrevista com o coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná (SEMA), Laerty Dudas, você poderá acompanhar vários detalhes de alguns fatos que estão se desenrolando no Estado. As informações reveladas aqui servem de alerta para os demais Estados e para o governo federal, já que temos uma Política Nacional de Resíduos Sólidos prestes a completar 18 anos no papel.

RECICLAGEM MODERNA: quais são os objetivos do Programa Desperdício Zero do Paraná?

DUDAS: quando se fala em papel, aparista ou carrinheiro, o grande objetivo é gerar emprego e renda. A indústria vai necessitar de papel reciclado para colocar na composição daquilo que está fabricando. Estamos dando uma valorização ao produto a partir de uma necessidade. Esse material terá uma rotatividade maior.

RM: além de papel, quais são os outros materiais foco do programa?

DUDAS: Pneu, por exemplo. A política é de que o fabricante assuma a responsabilidade legal, já estamos conversando há dois anos com todos os fabricantes para que implantem uma logística reversa. Eles se reuniram em uma associação para blindar os fabricantes de pneus. Esse é um problema sério porque eles desenvolvem tecnologias para fabricação de pneus, mas não desenvolvem tecnológicas para reaproveitar o pneu inservível, eles dependem de um terceiro desenvolvedor de tecnologia que é a indústria cimenteira, que usa o pneu como fonte energética. Todo mundo se esquece da Lei nº 6.938/1981 (Lei federal), que é de responsabilidade solidária. A partir do momento em que você coloca a sua logomarca num produto, tem responsabilidade social por aquele produto até o seu destino final, então, já existe algo nesse sentido. Agora, não existem leis específicas para lâmpadas, por exemplo. Porque as sacolas oxi-biodegradáveis apareceram, por exemplo? Para convivermos melhor com o plástico.

RM: na revista Reciclagem Moderna nº 14 foi publicada uma reportagem bem apurada sobre sacolas plásticas. Estas sacolas que se decompõem são apenas agradáveis aos olhos, pois fragmentam o material em pequenos pedaços, correto?

DUDAS: temos no Paraná 14 laudos técnicos (sendo oito do Brasil e seis internacionais) e convocamos para o Estado o presidente da Sociedade Mundial de Cientistas em Polímeros Plásticos (Polymer Society – uma divisão do Instituto Internacional de Materiais, Minerais e Mineração) desmentido muita coisa do que as indústrias falam. Fizemos algumas blitze em redes do varejo, mas a sociedade mudou a sacola.

Aqui cabe uma pequena correção, foram feitos 25 os laudos nacionais em diversas instituições conceituadas, e no Paraná, quem não optar por plástico oxi-biodegradavel, retornável ou qualquer outra sacola que seja ambientalmente menos prejudicial do que o plástico convencional e eterno, pode levar uma multa de até R$ 70.000,00 por dia.

RM: e o que ocorre no mercado de pneus?

DUDAS: no caso do pneu, estão tentando mudar a resolução de forma que seja favorável a eles (fabricantes). Eles falam que o município tem que dar barracão e custear funcionários. Onde você vai colocar dinheiro público para acondicionar resíduo de indústria? Isso é improbidade administrativa. Esse convênio (acordo firmado entre fabricantes de pneus e algumas prefeituras do Paraná) é ilegal. Ele favorece a indústria pneumática.

E como sempre diz o Dudas, daqui a pouco aparece um fabricante qualquer coisa exigindo do município que também armazene seu resíduo, afinal, se abriram exceção para um, todos poderão exigir o mesmo tratamento dierenciado, a lei vale para todos.

RM: que acordo é esse?

DUDAS: no Paraná temos uma unidade da Votorantim que aproveita e precisa de 3 mil toneladas/mês de pneus. O Paraná gera 2 mil toneladas/mês. Matematicamente, o problema no Estado está resolvido. Só que percebemos que a conta não estava fechando. Começamos a perguntar: por que o pneu paranaense não interessava para a Votorantim? Porque a Reciclanip fez um acordo comercial com a Votorantim e estão trazendo pneu de Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Ou seja, eles estão limpando os outros Estados, enquanto o pneu do Paraná está sobrando.

RM: o que foi feito sobre isso?

DUDAS: tivemos uma reunião com o pessoal do Ministério da Saúde que defendia a proposta da Reciclanip. O município não pode gastar dinheiro público para acondicionar material de resíduo da indústria. Podemos até assinar convênio com a Reciclanip, desde que eles assumam toda a responsabilidade.

RM: isso ainda está em discussão?

DUDAS: emitimos R$ 20 milhões em multas para esse pessoal (fabricantes de pneus). Para cada pneu da marca Firestone, por exemplo, achado na rua, emitimos multa de R$ 10 mil. O município não fabricou pneu, isso não é dele. Outra idéia nossa foi amontoar os pneus e colocar um cartaz com os dizeres: “Esses pneus são de propriedade da empresa Goodyear, Firestone, Pirelli …” Emitimos multa também de R$ 2 milhões para a Reciclanip porque ela mandou ofício para as prefeituras solicitando que as mesmas desconsiderassem o que o governo do Estado falava. Também acionamos o Ministério Público, que avisou para os 52 prefeitos que assinaram o acordo: “Vocês podem responder por improbidade administrativa”. Na prefeitura de Foz do Iguaçu, por exemplo, pagam-se R$ 2.700,00 pelo aluguel de um barracão para estocar pneu. Esse pneu nunca sai de lá, porque estão trazendo pneu de fora do Estado. Devido à nossa pressão, em janeiro de 2009 a Reciclanip tirou os pneus de um barracão da cidade de Almirante Tamandaré (região metropolitana de Curitiba).

RM: o que mais foi feito?

DUDAS: nós nos reunimos com uma associação local que prometeu limpar os pneus do Paraná se fosse proibida a entrada de pneu de fora. Então foi feita uma resolução proibindo a entrada de pneu de fora. No início de fevereiro deste ano, a Reciclanip entrou com um mandato de segurança para cassar a resolução do Governo do Estado do Paraná.

RM: qual foi a reação do estado?

DUDAS: estamos tentando cassar essa liminar. Eles colocam como defesa que estamos impedindo um acordo comercial. Meio ambiente é a 15ª prioridade deles (Reciclanip). O acordo comercial (com a Votorantim) é o que interessa nesse momento. Queremos que eles limpem o Paraná. A Reciclanip diz que vai cumprir a resolução em 62 anos.

RM: como você acha que acontece em outros lugares?

DUDAS: não foge à regra. É inadmissível que você pague R$ 2 mil ou R$ 2,5 mil para acondicionar resíduos da Firestone ou Michelin. Com esse dinheiro é possível pintar uma escola, ou comprar um computador por mês. Quando a prefeitura cede espaço e verba para acondicionar pneu, a indústria só tem a agradecer. Os 52 municípios que assinaram o acordo estão sendo denunciados pelo Ministério Público do Paraná para ressarcir esse gasto. O sócio da Reciclanip paga R$ 50 por tonelada para incinerar os pneus na Votorantim. Mas se a empresa não for sócia, precisa desembolsar R$ 300. É um absurdo o que está acontecendo. Na última reunião da câmara técnica, voou até cadeira.

RM: mas está prevista uma reunião do CONAMA sobre esse assunto. Você não acha que poderemos ter novidades?

DUDAS: resolução não tem força de lei. Se a empresa quiser colocar na defesa que não atende à resolução, tudo bem. O pessoal se esquece de que no Paraná temos uma lei para pneus. A resolução é apenas um encontro de técnicos que vão dar diretrizes para que vire lei. Os advogados da Reciclanip caem da cadeira quando conversam conosco porque temos a Lei 12.493/99 e o artigo 11 é bem claro sobre pneu. Ela diz que o fabricante é o responsável pela coleta, armazenamento e destino final do pneu. Eles argumentam que estão trabalhando a resolução do CONAMA. Querem atribuir ao município essa responsabilidade.

Temos 210 parceiros da iniciativa privada no Programa do Estado. A Ambev, por exemplo, precisa apresentar para nós a justificativa da sustentabilidade da embalagem tipo long neck. Já fizemos a denúncia no Ministério Público. A Ambev percebeu que a logística reversa da embalagem long neck é insustentável. Comercialmente, entretanto, a long neck concorre com o alumínio. Alguns componentes químicos foram retirados da garrafa, assim ela ficou com menos peso. Essa embalagem não tem pressão para ser envasada mais de uma vez, por isso é descartada para o meio ambiente. Esse produto não tem preço, logo ele é ruim para o meio ambiente.

Um passarinho verde nos contou que as envasadoras de produtos em long neck no Paraná, receberam uma pequena multa de sete milhões de reais no inicio de maio de 2009 por não estarem praticando a logística reversa. Infelizmente não houve divulgação por parte da imprensa. Haja poder para poder encobrir esta noticia. Devem ter dado muita cerveja para calar a boca da imprensa.

Todas as empresas fabricantes de óleo combustível também estão obrigadas a fazer coleta, transporte e destino final. Este é o nosso objetivo: ter sempre o reciclador para fechar a cadeia da reciclagem. Por que a embalagem de agrotóxico conseguiu fechar o cerco? Porque o fabricante assumiu a responsabilidade. Então, o que deu certo para os agrotóxicos estamos colocando para os outros resíduos. Em alguns tipos de embalagens torna-se difícil fazer a segregação de materiais.

“Eles argumentam que estão trabalhando a resolução do CONAMA. Querem atribuir ao município essa responsabilidade” Mas isso é muita cara de pau, e não duvidamos nada que eles consigam através de lobbie, mudar esta resolução no país da pizza, onde a indústria só visa o lucro sem quere se responsabilizar pela sujeira que fabricam e emprorcalham o planeta.

RM: mas existe em São Paulo uma unidade da TetraPak que faz segregação de embalagem longa vida, por exemplo.

DUDAS: mas quanto eles colocam no mercado e quanto eles recolhem? Nós nos reunimos com o pessoal da TetraPak por meio de um programa chamado “Paraná e TetraPak em ação”. Em 2007, eles assumiram o compromisso de fazer o escoamento sustentável da embalagem. Eles estão no Ministério Público e chamamos os municípios que fazem parte do G-22 (grupo de cidades do Paraná). Cem por cento dos municípios estão insatisfeitos com o modelo. A responsabilidade é deles e não do município. Deixamos bem claro que o município não é empregado da TetraPak. Demos um prazo de 30 dias para a TetraPak resolver o problema. Decidimos (o G-22) que vamos pegar toda a embalagem recolhida e depositar na fábrica mais moderna deles, que fica na cidade de Ponta Grossa (PR). Fala-se muito em reciclagem, mas não vemos a participação efetiva da indústria.

O G-22 é composto pelos 22 maiores municípios do estado do Paraná, que concentram 80% da população e são responsáveis pela geração de 85% dos resíduos. O Paraná tem hoje 399 municípios.

RM: essas multas que você citou já foram entregues?

DUDAS: já. A alegação dos supermercados, por exemplo, é que eles cedem a sacola para o cliente colocar o produto. Os supermercados dizem que não têm culpa se colocam a sacola para transportar o produto e, em casa, o cliente a usa como saco de lixo. Acho engraçado o supermercado colocar a culpa no cliente, afinal, quem mantém o faturamento do supermercado?

Isso é o mesmo que morder a mão do dono ou cuspir no prato que come, né, supermercadista?

RM: em que outras áreas de materiais estão ocorrendo ações semelhantes?

DUDAS: lâmpadas. Fabricantes como GE e Sylvania foram multados em R$ 10 mil por dia até apresentarem relatório de logística reversa. Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açucar receberam multas que somam R$ 14 milhões. Todos os clientes da TetraPak estão no Ministério Público. Ligamos para um deles no País (clientes de embalagem da TetraPak) e dissemos o seguinte: “Meu amigo, você depositou a sua embalagem no meu Estado. Gostaríamos que viesse retirar”.

RM: quais foram os resultados positivos dessa política implantada no Estado?

DUDAS: colocamos todos os fabricantes no circuito por bem ou por mal, pressionando a fazer uma logística reversa de todos os materiais produzidos. Infelizmente, tivemos de mudar alguns pontos porque sentimos que ninguém quer fazer nada. Não gostamos de conversar com associações. Elas foram feitas para blindar as empresas. Quando fizemos pressão sobre o PET, o que o pessoal fez? A Coca-Cola recorreu ao Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), que é uma entidade que atende ao interesse dos associados. A primeira coisa que o André Vilhena (diretor-executivo do Cempre) fez foi pedir prazo. Nunca vi pedir tanto prazo na vida. E por quê? Porque eles não querem colocar a mão na massa. Quando você pergunta quanto de garrafa de PET é disponibilizado no Estado, ninguém sabe. Eles conseguem rastrear uma embalagem de suco, mas não sabem quanto venderam para o Estado. A TetraPak disse que aumentou a reciclagem de embalagem longa vida em 32% no Estado. O índice mundial é de 16%. Qual foi a façanha que a empresa faz se nem para campo eles foram? Eles (TetraPak) questionaram a realidade de alguns municípios por aqui e nunca mais voltaram.

Quem não sabe quem é o André Vilhena, por favor, procure no google, vale a pena.

RM: você acredita que o programa ajudou a melhorar o comércio de materiais recicláveis no Estado?

DUDAS: a avaliação principal é que se o fabricante não participar do processo, tenho pena do reciclador. Para o reciclador, a parte mais cara é fazer o material chegar até o pátio da empresa dele. Agora, de quem é esse material? Do fabricante. Não interessa se o reciclador está ganhando dinheiro com esse resíduo. Isso não exime o fabricante de responsabilidade. O fabricante deveria beijar os pés do reciclador porque ele está tratando de um resíduo que ele (o fabricante) produziu. Estamos forçando o fabricante a ajudar o reciclador. Tenho pena dos recicladores porque eles apresentam uma solução sem apoio da empresa fabricante. Neste país, só haverá mudanças quando o fabricante der mais apoio ao reciclador.

Infelizmente, somente com multas milionárias alguma mudança na atitude dos fabricantes irá acontecer. Somos acomodados por natureza e se ninguém der um chute na bunda, ninguém vai para frente.

RM: você acredita em um aumento de campo de trabalho para o reciclador após a implantação do programa?

DUDAS: acredito que ele tenha aumentado, mas à custa de muito suor. Gosto de dar exemplos práticos: ligamos para a maior recicladora de embalagens TetraPak do Paraná para perguntar se a empresa fabricante estava oferecendo algum tipo de apoio. Esse reciclador ligou para a empresa em janeiro e, em resposta, recebeu alguns folders com propaganda da empresa. Isso é um absurdo. Enquanto o fabricante estiver alheio à responsabilidade, coitado do reciclador. Neste país tudo é colocado ao contrário. Os fabricantes é que deveriam perguntar para o reciclador se ele precisa de um carro, uma máquina ou algum tipo de apoio.

RM: em novembro, a SEMA publicou a Lei nº 15.696, que obriga o estado a adquirir certos tipos de papéis (cartões, embalagens, recibos etc), Cuja composição seja de 50% de papel reciclado. Essa lei já está promovendo a redução do volume de papel reciclado no estado?

Corrigindo a revista, deve ser o aumento do papel reciclado no estado.

DUDAS: baseamos esta lei na idéia de a indústria criar demanda de papel reciclado. O carrinheiro, associação ou empresa teriam um valor melhor pelo papel porque a indústria precisa dele para poder fornecer ao Estado. A empresa tem de provar que usou 50% de reciclado na composição do papel.

RM: mas como a empresa pode provar isso?

DUDAS: por meio de rastreabilidade, a empresa procura um certificador idôneo. Depois disso, a empresa consegue obter o Selo Azul da SEMA (nota da redação: esse selo é a garantia para o Estado de que a empresa foi certificada quanto à rastreabilidade). Na regulamentação da lei, colocamos apenas o básico. Agora, qualquer empresa que vende para o poder público precisa estar com a sua documentação em dia. A empresa chega aqui e quer obter o Selo Azul. A primeira coisa que vamos ver é se a empresa existe legalmente. Alguns deram problema com documentação na Receita Federal.

RM: quantas certificações Selo Azul o Estado do Paraná já expediu?

DUDAS: nenhuma até o momento e por quê? Porque a empresa interessada não existe legalmente.

RM: então as compras de certos tipos de papéis estão paralisadas?

DUDAS: a primeira empresa que poderá adquirir o Selo Azul acabou de regularizar a situação no INSS. As compras não estão paralisadas. Já fomos acusados de querer parar o estado. Havia empresas que colocavam 0,1% de apara pós-consumo junto com fibra virgem e diziam que o papel delas era reciclado. O papel reciclado vendido era papel maquiado.

RM: sobre a rastreabilidade que você comentou, não corre o risco de ser criada no Paraná uma indústria de venda de laudos?

DUDAS: não. Não posso pensar nisso. Vou acreditar no laboratório. Se existe uma indústria de venda é um problema de polícia. O laudo falso é problema de polícia. Estamos fazendo a nossa lição de casa.

RM: mas na publicação da Lei 15.696 não está claro que o reciclado usado na composição do papel novo tenha de ter sido gerado no Estado. Isso não dá brecha para que entre no Paraná papel reciclado vindo da China, por exemplo?

DUDAS: na regulamentação da lei existe um capítulo que diz que o instituto de pesquisa certificador precisa ir até a indústria e verificar a origem do reciclado. Se o instituto assinou um laudo de rastreabilidade, eu tenho de acreditar. Trouxemos para o Paraná o maior especialista mundial em polímeros biodegradáveis. Se uma pessoa como essa está assinando algo, quem somos nós para discordar? Temos de acreditar nos órgãos acreditadores.

RM: você tem idéia de quanto o Estado compra em papel? Quando esses números estarão disponíveis?

DUDAS: no momento em que tivermos todas as empresas divididas por categorias, conseguirei ter esse número. No momento, não queremos nos iludir no trabalho que estamos realizando. Vamos ter idéia desse volume e da proporção com o reciclado daqui a alguns meses.

É isso, falar mais o que depois de uma entrevista brilhante como esta do Dudas, que trabalha incansavelmente em conjunto com o Secretário do Meio Ambiente do Estado Rasca Rodrigues e com o Ministério Público com o Procurador de Meio Ambiente Doutor Saint Clair Honorato, sob a batuta do nosso genial, encardido, turrão e briguento governador, Roberto Requião, neste que consideramos o melhor governo do estado no quesito meio ambiente.

Estamos para os outros estados na legislação ambiental como a Suiça está para a Somália, há anos luz de distância na limpeza de resíduos do estado, obrigando os fabricantes a cumprirem sua obrigação de se responsabilizar por seus resíduos, ou seja, responsabilidade do berço à reciclagem, reinserindo seus produtos novamente na linha de produção.

Mas não pense você que eles estão cumprindo sua obrigação legal e moral sem espernear, e espernear muito. Eles só começam a se mover quando chegam as multas milionárias, quando são ameaçados de não poder mais atuar no estado.

Agora perguntamos, porque os outros estados não estão vindo até nosso estado em caravanas para aprender como se trata o setor produtivo? Porque os outros estados continuam reféns dos poluidores e se sentem com as mãos atadas se a solução está tão perto, no Paraná?

Dudas, continue a excelente batalha contra os poluidores, estamos aqui para apoiá-lo e também para apoiar o Rasca e o Doutor Saint Clair, para que nosso estado consiga finalmente ser um estado resíduo zero, para que consigamos fazer a reciclagem e compostagem 100%, só sobrando para os aterros os 5% de rejeito, que é o que não pode ser reciclado ou compostado.

Graças ao nosso governador, nosso procurador estadual de meio ambiente, nosso secretário estadual de meio ambiente, nosso coordenador de resíduos, podemos dizer que temos orgulho de ser paranaenses.

DUDAS AKA A CHIBATA.

 

Xanxerê, SC – o futuro começou hoje

shastadaisy~

Bom dia cidadão de Xanxerê, se você for às compras hoje, não esqueça de levar suas sacolas retornáveis porque a partir de hoje, nada mais de sacolas gratis nos supermercados e em outros estabelecimentos que aderiram ao projeto.

Se não está em seus planos fazer compras hoje, mude de idéia e saia de casa, respire o ar da civilização, faça você também parte deste dia histórico, o dia em que a cidade se livrou das sacolas de plástico de uso único, totalmente dispensáveis, uma invenção que jamais deveria ter ocorrido.

Você poderá dizer para seus netos, no futuro, que você fez parte do movimento de desplastificação do planeta, que graças à sua cidade e a você, o mundo mudou para melhor, orgulhe-se deste dia, cidadão de Xanxerê.

Parabéns aos supermercadistas de Xanxerê, que se uniram para mudar o mundo, parabéns ao governo da cidade que através da secretaria municipal de educação está realizando o projeto e parabéns aos parceiros do projeto que são a Secretaria Estadual de Educação  de Santa Catarina, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Xanxerê e a Agenda XXI.

Parabéns a você consumidor, que abandonou o vício no plástico.

Xanxerê recolhe 40 toneladas de lixo por dia e sabemos que 10% de todo o lixo corresponde às sacolas plásticas de uso único, então, apenas com este projeto, o aterro de Xanxerê terá sua vida útil aumentada em 10%, nada mais de sacolas voando ao sabor do vento, entupindo bueiros e matando animais asfixiados, a prefeitura economiza em limpeza pública, o supermercadista economiza ao não comprar as sacolas – 7% do custo operacional de um supermercado vem da aquisição das sacolas -, a cidade fica mais bonita e os humanos que ainda nem nasceram agradecem.

Enquanto em Maringá nós tentamos implantar este projeto em 2008 e não conseguimos graças a apenas um supermercadista que se recusou a fazer parte do projeto – lembra disso Carlos? – , o projeto estreiou em Santa Catarina, em Xanxerê, onde todos os supermercadistas se uniram para fazer sua parte pelo planeta, parabéns para eles.

É realmente uma pena, porque sempre queremos que Maringá seja a primeira a estrear todos os projetos da FUNVERDE, mas desta vez não deu.

Agora queremos ver se eles vão concordar com o dia sem sacola, com o desconto para quem não levar sacolas, com a cobrança para quem quiser usar sacolas plásticas de uso único, porque se não quiserem, tem muitas cidades e estados que querem e estão fazendo, ganhando marketing espontâneo, ao contrário da nossa amada Maringá. Perde a cidade, perde a população pela falta de união dos supermercadistas.

Xanxerê, SC – o início do fim da plastificação planetária

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Abril começa com uma novidade maravilhosa para a humanidade, um sopro de esperança para o futuro.

Xanxerê é uma cidade de Santa Catarina com aproximadamente 40 mil habitantes.

Na cidade são distribuídas mais de 1 milhão de sacolas plásticas de uso único por mês, somente nos 30 supermercados.

Ou melhor, muito melhor, ERAM distribuídas mais de 1 milhão de sacolas plásticas de uso único por mês, porque, a partir de primeiro de abril de 2009, todos os supermercados de Xanxerê não fornecerão mais sacolas plásticas gratuitas.

Ainda existirão sacolas dentro das empresas, mas as mesmas serão cobradas, elas já estão sendo vendidas em embalagens de 5 unidades a um custo de R$ 0,50.

Xanxerê, no dia primeiro de abril de 2009 conquistará o título de primeiro município do Brasil a abolir as sacolas plásticas gratuitas em supermercados.

A idéia surgiu de um grupo de supermercadistas em outubro de 2008 e a data limite para fornecer sacolas plásticas de uso único gratuitas foi definida como sendo o dia 31 de março de 2009.

Foram lançadas dois tipos de sacolas retornáveis, uma normal a um custo de R$ 5,99 e uma com uma divisão interna por R$ 6,99. Os dois modelos são idênticos para todos os supermercados e 39 dos 40 supermercados da cidade aderiram ao projeto. Já foram vendidas aproximadamente 5 mil destas sacolas até hoje.

Em dezembro de 2008 cada funcionário de cada supermercado recebeu uma sacola retornável e foi proibido a partir daí, de utilizar sacolas plásticas de uso único em suas compras nos supermercados.

A partir do início de março de 2009 houve o início das propagandas em rádio, TV e jornais tudo pago pelos supermercados envolvidos no projeto.

A realização do projeto está sendo feita pela prefeitura municipal de Xanxerê, através da secretaria de educação que estão fazendo um trabalho de conscientização e sensibilização com os alunos da rede municipal de ensino.

Também a Secretaria Estadual Educação de Santa Catarina, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Xanxerê e a Agenda XXI abraçaram esta idéia e se tornaram parceiros do projeto e estão fazendo um trabalho de divulgação do projeto junto aos alunos da rede estadual de ensino.

Antes mesmo do lançamento do projeto, a idéia já tomou uma dimensão muito maior que o esperado e agora locadoras, livrarias, lojas e farmácias também estão aderindo ao projeto.

Primeiro de abril, apesar de ser o dia internacional da mentira, neste ano também será um dia a ser lembrado como o dia do lançamento da pedra fundamental da desplastificação do Brasil, pois toda maratona começa com o primeiro passo e Xanxerê entrará para a história como a primeira cidade do país a dar o primeiro passo para a desplastificação do planeta.

Agora cabe a você, supermercadista, varejista, comerciante em geral, consumidor e principalmente você, prefeito, vereador e deputado, nos ajudar a mudar o mundo multiplicando esta grande ação de uma pequena e pioneira cidade. Ganha o planeta, ganha a cidade, pois teremos menos lixo e ganha o comerciante que deixará de adquirir este produto, pois nada é de graça. O único setor que perde neste projeto é o setor plástico, mas o plástico de uso interno do supermercado continuará sendo usado e agora a indústria de plástico tem que fazer sua parte e trocar o plástico eterno por plástico de ciclo de vida curto oxi-biodegradável.

Estamos falando do saco que você coloca frutas, legumes e verduras, o isopor utilizado nas bandejas, o plástico flexível que cobre estas bandejas, o plástico de rolo de açougue, o plástico da padaria, o plástico flexível que vem das fábricas para dar firmeza às embalagens durante o transporte, o saco que vem da agricultura com alface e mais uma infinidade de plásticos que não vem da indústria, mas que o supermercadista utiliza até três vezes mais do que a sacola de boca de caixa.

Sacos de embalagem antes do caixa, esta é a próxima etapa do projeto de desplastificação do planeta da FUNVERDE – a segunda etapa – a ser implantada em Xanxerê e em várias outras cidades simultaneamente ainda este ano. Entre em contato conosco para saber mais sobre o projeto de desplastificação planetária e educação ambiental nos supermercados.

Parabéns aos supermercadistas de Xanxerê que assumiram sua parcela de responsabilidade ambiental, parabéns à prefeitura de Xanxerê, parabéns a Santa Catarina e finalmente parabéns à humanidade que ganha agora uma nova chance de ter um futuro.

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Milho transgênico: uma morte lenta e silenciosa

 

JasonCross

Portal do meio ambiente de 12 de março de 2009

Se não bastasse a expansão de soja transgênica na agricultura brasileira, agora as lavouras do país serão invadidas pelo milho transgênico. Com a falta de pesquisas e uma legislação ineficiente, o milho geneticamente modificado surge com uma nova promessa: resistir a determinados insetos e aumentar a produção. Sem a confirmação dos malefícios para a saúde, o produto entrará na nossa cadeia alimentar a partir da próxima safra.

Antônio Inácio Andrioli, um dos pesquisadores a por em pauta esse debate no Brasil, está desapontado com a opção do país, e diz que a longo prazo o cultivo representará uma catástrofe para os agricultores. “Já sabemos que o milho transgênico vai produzir menos que o convencional e sua produção vai custar mais caro”, adverte.

Além dos malefícios para a agricultura, produtos geneticamente modificados podem estar relacionados a uma série de epidemias que crescem na sociedade contemporânea, como o câncer e alergias alimentares. As plantas produzidas através da transgenia, explica o pesquisador, em entrevista concedida com exclusividade à IHU On-Line por telefone, são imunodeficientes, ou seja, piores que as desenvolvidas através do melhoramento genético tradicional. “Recentes pesquisas realizadas na Europa demostram que animais consumidores de produtos imunodeficientes também passaram a apresentar imunodeficiência, e, consequentemente, foram mais atacados por doenças”, alerta. E recomenda: “Deveríamos fazer a seguinte análise com relação aos impactos que isso gera no ser humano: Essas plantas às quais me refiro contêm dentro de suas célula – como no caso do milho transgênico – uma toxina sendo produzida por um bacilo (Bacillus thuringiensis). Como já sabemos que o contato de animais com o referido bacilo têm causado alterações no sistema imunológico e reprodutivo, há uma grande probabilidade de estarem aumentando as doenças no mundo, o que parece ser uma das estratégias da indústria farmacêutica”.

No caso das plantas resistentes a herbicidas, o agravante são os resíduos de glifosato verificados nos alimentos, pois esses cultivos, como a soja transgênica, permitem a aplicação de glifosato sobre a planta. Segundo o pesquisador, “mesmo se utilizássemos uma fórmula de glifosato cem vezes menor do que a utilizada na agricultura através do Roundup, teríamos uma alteração celular dos animais e seres humanos, conforme revela recente estudo realizado na França”. Andrioli também aponta para um segundo problema: uma alteração no DNA (ácido desoxirribonucleico), onde se encontram as características hereditárias de um ser vivo. “O DNA está sendo afetado em função do uso do glifosato que passa através dos alimentos em forma de resíduos.”

Depois de retornar do curso de pós-doutorado, na Áustria, o pesquisador está impressionado com o anonimato brasileiro em relação aos transgênicos, com a desinformação da população brasileira e a falta de interesse nesse debate. “Essa é uma discussão que interessa a todos, porque não tem ninguém que não coma. Portanto, todos estão sendo afetados pelo cultivo de transgênicos.” Em conversa com a equipe da IHU On-Line, o pesquisador alertou para o boicote de informações e denuncia que pesquisadores são perseguidos por colocar seus estudos à disposição do público.

Antônio Inácio Andrioli é graduado em Filosofia, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijui), mestre em Educação nas Ciências, pela mesma universidade, doutor em Ciências Econômicas Sociais, pela Universität Osnabrück, Alemanha, e pós-doutor, pelo Instituto de Sociologia da Universidade Johannes-Kepler de Linz, Áustria. Atualmente, é professor do mestrado em Educação nas Ciências, na Unijuí e docente do Instituto de Sociologia da Universidade Johannes Kepler de Linz. Ele é autor de Transgênicos: as sementes do mal (São Paulo: Editora Expressão Popular, 2006). Acompanhe mais informações no site do pesquisador www.andrioli.com.br

Confira a entrevista.

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Sustentabilidade se põe à mesa

Tom Hostler

PEGN

Restaurantes que adotam ações para minimizar o impacto ambiental lançam novo conceito e se espalham pelo mundo

Fernanda Tambelini

Muitos consumidores engajados nas causas sociais e ambientais já encontram alternativas para levar o consumo consciente também à mesa. Feiras dedicadas somente a produtos orgânicos e supermercados com seções inteiras de alimentos sustentáveis facilitam a vida dentro de casa. Mas como fica nas grandes cidades, onde boa parte da população faz as refeições fora do lar, em restaurantes, lanchonetes e bares? A resposta começou a ser dada por empreendedores de países da Europa, América do Norte e Oceania.

Restaurantes sustentáveis viraram uma realidade e tendem a influenciar o mercado de food service em todo o mundo.

Esses empreendimentos verdes reciclam os resíduos, não geram lixo para os aterros sanitários, usam fontes de energia limpa, têm construções e mobiliários feitos com madeira certificada, oferecem água filtrada gratuitamente aos clientes (no lugar das minerais em garrafinhas plásticas ou de vidro) e até produzem parte ou todo o alimento utilizado em seus pratos.

Considerado um dos ícones do novo conceito, o londrino Acorn House foi o primeiro estabelecimento de alimentação sustentável da Inglaterra. ‘A vida toda eu reciclei e reutilizei materiais, mas após 19 anos trabalhando como chef ainda não tinha conseguido levar essa mesma atitude para a cozinha. Eu estava ficando indignado com a quantidade de lixo que produzíamos’, disse o proprietário Arthur Pott-Dawson ao jornal britânico The Observer.

No rol das iniciativas adotadas pelo Acorn House para garantir que o negócio gere o mínimo de impacto ambiental possível, a clientela encontra desde lâmpadas econômicas alimentadas por energia renovável até tinta atóxica nas paredes e alimentos cultivados localmente por fornecedores que também seguem parâmetros socioambientais – a escolha pela produção local é para diminuir a emissão de CO2 provocada pelo transporte.

Não satisfeitos, Pott-Dawson e seu sócio Jamie Grainger-Smith também foram além da reciclagem das embalagens que não conseguem evitar. Toda sobra de alimentos – reduzida pelo tamanho adequado das porções servidas – é levada a um telhado plano do prédio vizinho, onde passa pelo processo de compostagem para virar adubo orgânico.

As inovações da dupla não param por aí. O óleo usado para as frituras é encaminhado a uma empresa que o transforma em biodiesel, que depois abastece os veículos de entrega do restaurante. O salão e a cozinha dispensaram o ar-condicionado e são climatizados por um sistema que usa – sem poluir – a água fria de um canal atrás do prédio. Para o futuro, os chefs pretendem cultivar legumes e verduras no composto orgânico gerado pelo restaurante no telhado vizinho e trocar o papel higiênico por um sistema japonês similar aos bidês que lavam e secam as partes íntimas dos clientes. Isso tudo sem comprometer a qualidade da comida e do serviço. O Acorn House está listado no London Restaurant Guide, o guia de restaurantes da capital inglesa, e tem sido elogiado por renomadas publicações, como os jornais britânicos The Times e The Independent.

Com ambientalistas e apreciadores da boa comida satisfeitos, os sócios também dão uma boa notícia aos empreendedores: após dois anos em funcionamento, seu modelo de restaurante sustentável é viável financeiramente. ‘Quero lançar 32 [unidades do Acorn House]. Uma em cada distrito de Londres’, afirma Pott-Dawson. O diretor da organização sem fins lucrativos norte-americana Green Restaurant Association (GRA), Michael Oshman, acrescenta que as medidas sustentáveis não só são viáveis financeiramente, como reduzem gastos com matéria-prima, água e energia.

Apenas no ano passado, o número de estabelecimentos certificados como sustentáveis pela GRA triplicou, atingindo cerca de 270 restaurantes. Depois do sucesso do Acorn House em Londres, outros exemplos começaram a pipocar. O australiano Source Foods procura fornecedores que contribuam ambiental, social e economicamente para as comunidades, enquanto o americano Ecopolitan instalou purificadores para limpar o ar. O telhado do The Academy Café, na Califórnia (EUA), é totalmente coberto por vegetação para diminuir o uso do ar-condicionado e as geladeiras do londrino Water House poupam energia.

Como se vê, não é por falta de exemplos que o movimento ainda não chegou ao Brasil. Por enquanto, no país existem apenas iniciativas isoladas e muito tímidas. Mas provavelmente quem se dispuser a lançar a moda por aqui não deve demorar a conquistar seguidores.

Abelhas estão desaparecendo no sul do Brasil

Por visionthing64

por Marco Aurélio Weisheimer – Agência Carta Maior

Apicultores gaúchos e catarinenses relatam desaparecimento de abelhas em níveis inéditos. Alguns produtores registram perdas de 25% na produção de mel. Pesquisador diz que uma das causas do fenômeno pode ser a influência de lavouras transgênicas.

Porto Alegre, RS –  As primeiras notícias sobre o fenômeno do desaparecimento das abelhas foram recebidas como uma espécie de enredo de um novo filme de ficção científica. Mas o problema tornou-se muito real. Nos Estados Unidos recebeu o nome de Colony Collapse Disorder (Desordem e Colapso da Colônia). Agora, o problema foi detectado também no Brasil, particularmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Matéria publicada no jornal Diário Catarinense, de Florianópolis, afirma que o desaparecimento das abelhas já é motivo de grande preocupação entre apicultores dos dois Estados. E o desaparecimento vem acompanhado de outro problema: as abelhas que permanecem nas colméias estão morrendo infectadas por diversas doenças. Em depoimento ao jornal, o apicultor e pesquisador Leandro Simões, de Campo Alegre, diz que nunca viu algo parecido em 35 anos de profissão.

O fenômeno pode causar graves desequilíbrios ambientais, uma vez que as abelhas são responsáveis por mais de 90% da polinização e, de forma direta ou indireta, por 65% dos alimentos consumidos pelos seres humanos. Alguns produtores já registram perdas de 25% na produção de mel.

Segundo Jair Barbosa Júnior, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, com sede em Brasília, uma das possíveis causas do fenômeno pode ser a influência de lavouras transgênicas. No Brasil, lembrou Barbosa, não há estudos aprofundados sobre o impacto dos transgênicos no ecossistema. Outra possível causa apontada pelo pesquisador é o aquecimento global. O sistema de orientação das abelhas funciona por meio dos olhos. As abelhas dependem da luz solar para encontrar o caminho de volta para as colméias. O aumento da incidência de raios ultravioletas poderia, assim, ser uma das causas do fenômeno. Essa possível causa não explica, porém, o que está atingindo o sistema imunológico dos animais.

A advertência de Einstein

O físico Albert Einstein disse que se as abelhas desaparecessem, a humanidade seguiria o mesmo rumo em um período de 4 anos. A razão é muito simples: sem abelhas não há polinização, e sem polinização não há alimentos. O desaparecimento das abelhas começou a ser tema na mídia em 2006, nos EUA e no Canadá, quando criadores que alugam enxames para agricultores começaram a relatar o desaparecimento destes animais em níveis muito elevados.

Em várias regiões destes dois países, apicultores chegaram a perder 90% de suas colméias. O biólogo norte-americano Edward Wilson, chamou o fenômeno de “o Katrina da entomologia”, numa referência ao furacão que arrasou Nova Orleans, nos EUA.

Na Califórnia, entre 30% e 60% das abelhas desapareceram. Em algumas regiões da costa leste dos EUA e do Texas, esse índice chegou a 70%. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o fenômeno foi registrado em 42 estados norte-americanos e duas províncias canadenses. A redução das colônias de abelhas no país vem ocorrendo, pelo menos, desde 1980. De acordo com dados do USDA, o número de colméias hoje nos EUA (2,4 milhões) é 25% do que aquele que existia em 1980.

Já segundo a Associação de Apicultura Americana, o desaparecimento das abelhas atingiu 30 estados dos EUA. A morte repentina de abelhas também já foi registrada em países como Alemanha, Suíça, Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Manfred Hederer, presidente da Associação Alemã de Apicultores, relatou uma queda de 25% nas populações de abelhas por toda o país.

Transgênicos entre os suspeitos

Entre as possíveis causas do fenômeno, são citadas a radiação de telefones celulares, o uso indiscriminado de herbicidas e o uso de transgênicos, em especial os do milho Bt (com gene resistente a insetos; contém pedaços do DNA da bactéria Bacillus thuringiensis).

Diversos países proibiram, recentemente, variedades transgênicas do tipo Bt, o segundo transgênico mais plantado hoje no mundo (fica atrás apenas da soja). O governo peruano proibiu a variedade da batatinha transgênica Bt, em razão do país ser o centro de origem e biodiversidade desta cultura. O México proibiu totalmente o plantio ou consumo do milho Bt pelas mesmas razões. O governo da Grécia tomou a mesma decisão, estendendo a proibição a 20 variedades do milho Bt, por risco de ameaça à espécie humana, à vida silvestre e à indústria de criação de abelhas. O Brasil, por sua vez, vem aprovando a liberação de transgênicos Bt.

Outra hipótese levantada relaciona o problema à radiação dos telefones celulares. O jornal inglês The Independent publicou matéria a respeito, afirmando que a radiação dos celulares poderia estar interferindo no sistema de navegação das abelhas, provocando a desorientação das mesmas, que, assim, não conseguiriam mais voltar para suas colméias. Além disso, citou pesquisas alemãs que apontaram mudanças de comportamento das abelhas nas proximidades de linhas de transmissão de alta tensão.

Ainda não foi encontrada nenhuma prova sobre a real causa do problema. A possibilidade de uma praga causada por algum produto químico é questionada pelo fato de que não são encontrados restos mortais das abelhas em grande número. Quando uma colônia é afetada por algum microorganismo, há muitos insetos mortos em torno delas. Nos casos relatados nos EUA e em outros países, as abelhas simplesmente estão desaparecendo.

Alguns cientistas, por outro lado, minimizam o problema. O professor emérito de entomologia da Oregon State University, Michael Burgett, disse ao jornal The New York Times que as grandes baixas em abelhas em algumas regiões poderiam simplesmente ser um reflexo de picos populacionais superiores à taxa normal de mortalidade em décadas recentes. Segundo ele, no final dos anos 70 houve um fenômeno similar a este, que, na época, foi chamado de “doença do desaparecimento”. Não foi encontrada uma causa específica para o desaparecimento.

Mas não se trata de uma simples repetição. A novidade é que, desta vez, o problema está aparecendo ao mesmo tempo em várias regiões do planeta, inclusive no Brasil.

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Silence of the bees - O Desaparecimento mundial das abelhas